Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, mantêm paralisada a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a apurar denúncias envolvendo o Banco Master. A iniciativa, protocolada há cinco meses, permanece sem leitura no plenário do Senado e ocupa as últimas posições na lista de pedidos de CPI na Câmara.
No Senado, Alcolumbre não realiza a leitura do requerimento, justificando que o Congresso não deve transformar-se em palanque político. Na Câmara, Motta recorre à regra de ordem cronológica de apresentação de pedidos para segurar o tema, medida que, segundo parlamentares, transfere o eventual desgaste para depois das eleições de 2026, quando o assunto tende a perder força política.
Relatos de parlamentares apontam que, em abril, o bloqueio à CPI teria se intensificado após entendimentos que envolveram votações consideradas sensíveis. Como contrapartida para não instalar a comissão, o Senado teria rejeitado a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e revertido vetos à Lei da Dosimetria. Tais movimentos de bastidores são apontados como forma de proteger personagens e instituições citados no escândalo.
Alcolumbre argumenta que a decisão de ler ou não o requerimento é prerrogativa do presidente da Casa. Juristas e integrantes da oposição contestam a tese, citando decisões anteriores do Supremo Tribunal Federal que determinam a instalação automática da CPI quando o número mínimo de assinaturas é alcançado e o fato a ser investigado está claramente definido.
A proximidade do calendário eleitoral de 2026 também pesa na estratégia. Em anos de eleição, o tempo de deliberação torna-se o recurso mais valioso do Legislativo. Lideranças priorizam matérias de apelo popular, como mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o fim da escala 6×1 na jornada de trabalho, pautas consideradas capazes de atrair votos e desviar a atenção de temas que possam gerar desgaste.
O principal risco apontado para Motta e Alcolumbre não é o travamento das atividades legislativas, mas o enfraquecimento da capacidade de negociação da cúpula do Congresso. Na Câmara, Motta pode afastar-se da oposição ao alinhar-se ao governo para manter a CPI fora da agenda. No Senado, Alcolumbre sofre críticas diretas por supostas ligações de aliados com investigados, em um cenário descrito como disputa pela sobrevivência política diante de pressões por esclarecimentos.
Com informações de Gazeta do Povo
