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Caso Master é apontado como ápice de esquema de corrupção ligado ao PT, dizem analistas

Órgãos de controle e a Polícia Federal avaliam que os mecanismos de desvio de recursos que marcaram cinco mandatos do Partido dos Trabalhadores (PT) alcançaram grau inédito de complexidade no chamado caso Master, investigação que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, soma dezenas de bilhões de reais e atinge aliados próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A prisão de Vorcaro revelou um esquema focado no mercado financeiro. Especialistas consultados consideram que, ao lado de fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o episódio representa estágio mais avançado de captura de recursos públicos e privados por redes político-empresariais ligadas ao partido.

O cientista político Paulo Kramer calcula que os desvios combinados dos casos Master e INSS podem chegar a R$ 150 bilhões, valor que, segundo ele, demonstra crescimento exponencial em comparação com escândalos anteriores. Kramer observa que o partido reproduziria, nas suas palavras, vícios do socialismo autoritário.

Em termos de valores, o mensalão movimentou entre R$ 102 milhões e R$ 1,3 bilhão no primeiro mandato de Lula; a Operação Lava Jato apontou prejuízo de aproximadamente R$ 18 bilhões apenas na Petrobras; já a proposta de delação de Vorcaro prevê devolução de R$ 60 bilhões, estabelecendo nova escala para a corrupção investigada.

As apurações indicam uma rede que inclui agentes políticos de diversas correntes ideológicas e autoridades dos três Poderes. Nas últimas duas décadas, os beneficiários ultrapassaram o núcleo petista: o mensalão buscava apoio do Centrão, enquanto o petrolão envolveu outras siglas, ainda que concentrado em dirigentes do PT e da Petrobras.

Entre 2003 e 2026 surgiram ainda episódios como o Dossiê dos Aloprados, o caso Bancoop, repasses da Odebrecht a agentes públicos, financiamentos subsidiados do BNDES para empresas brasileiras em obras no exterior e questionamentos sobre fundos de pensão de estatais.

No inquérito mais recente, a PF reuniu indícios de vantagens indevidas relacionadas ao Master que mencionam o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), político que nega irregularidades. O avanço das investigações coincide com período considerado sensível para o PT e para o projeto de reeleição de Lula.

A Bahia tornou-se ponto central das apurações. Investigadores analisam programas de crédito e decisões administrativas de sucessivos governos estaduais petistas, considerados decisivos para a expansão dos negócios do grupo Master.

Observadores apontam que, diferentemente dos esquemas baseados em contratos públicos, o caso Master opera por meio de estruturas financeiras e extensa rede de influência junto a órgãos reguladores e representantes dos três Poderes. Enquanto críticos atribuem a origem do banco ao ambiente político baiano governado pelo PT, líderes da esquerda sustentam que a expansão ocorreu por decisões adotadas durante o governo Jair Bolsonaro (PL).

O cientista político Antônio Flávio Testa recorda declaração do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que à época da Lava Jato classificou gestões petistas como cleptocracia. Testa considera que a infiltração de esquemas de cooptação em vários setores da economia prossegue sem a resistência esperada dos demais Poderes e da sociedade.

Para Elton Gomes, professor da Universidade Federal do Piauí, o mensalão e o petrolão foram etapas preliminares de um processo que, com o Master, alcançou máximo grau de corrompimento e cooptação. Ele avalia que o envolvimento de correntes políticas variadas alimenta a percepção de corrupção generalizada e afeta a credibilidade da Polícia Federal, do Ministério Público e do Banco Central, citando pressões que classifica como inaceitáveis em democracias.

A deputada Caroline De Toni (PL-SC) relaciona sucessivos escândalos às gestões petistas, começando pela propina nos Correios em 2004. Ela recorda que a Petrobras reconheceu contabilmente R$ 6 bilhões em desvios, cifra que levantamentos elevam a R$ 42 bilhões ao incluir superfaturamentos. A parlamentar também menciona descontos irregulares em aposentadorias e R$ 52 bilhões cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no caso Master. De Toni afirma que a lembrança desses fatos precisa ser preservada para evitar repetição e deve permanecer no debate eleitoral.

As investigações sobre o Banco Master, especialmente na Bahia, continuam e ainda há pontos sem esclarecimento completo.

Com informações de Gazeta do Povo

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