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Empresário é acusado de aplicar golpe milionário em advogados

Maurice Chang Neto, empresário que ganhou notoriedade por ter começado como camelô na Rua 25 de Março, em São Paulo, é acusado de estelionato por ao menos sete advogados contratados por suas empresas. Documentos analisados apontam que os profissionais prestavam serviços durante aproximadamente um mês e não recebiam os honorários acordados. Em 27 de maio, a 61ª Vara do Trabalho de São Paulo condenou o empresário à revelia em ação movida por uma das vítimas, que cobra R$ 105 mil referentes a honorários, multas, indenização e demais verbas trabalhistas.

A tentativa de localizar representantes de Chang Neto no Tribunal de Justiça de São Paulo resultou no contato com outros advogados que afirmam ter sido enganados. Um escritório ingressou na Justiça com cobrança de R$ 1 milhão em honorários, enquanto os demais preferiram não divulgar os valores devidos. O empresário não respondeu às solicitações de esclarecimento.

Relatos indicam que Chang Neto, sócio e administrador de empresas dos ramos financeiro, de turismo, veículos e saúde, recrutava advogados por meio de indicações e anúncios em plataformas de emprego. Nas entrevistas, oferecia remuneração elevada, benefícios como vale-refeição e plano de saúde, além da promessa de crescimento profissional. Para demonstrar solidez financeira, afirmava possuir centenas de empresas.

Os profissionais disseram ter verificado que as empresas existiam e apresentavam movimentação, inclusive uma delas com capital social de R$ 10 milhões, o que reforçava a aparência de legitimidade. Depois da contratação, o empresário passava demandas com prazos curtos, exigia trabalho durante a madrugada e, conforme os depoimentos, fazia cobranças em tom de ameaça.

Quando questionado sobre os pagamentos, Chang Neto apresentava justificativas variadas, como problemas no sistema de transferências, excesso de compromissos ou questões de saúde, e posteriormente deixava de responder às mensagens. Ainda assim, continuava solicitando serviços e ameaçando desligar quem não entregasse relatórios diários.

Os advogados também atuavam em processos pessoais do empresário, entre eles uma ação em que ele contestava cobranças de cerca de R$ 3 mil da Sabesp e pedia indenização de R$ 8 mil. Um dos escritórios descreve Chang Neto como estelionatário contumaz que contrata profissionais já decidido a não remunerá-los.

As denúncias mencionam que dezenas de empresas ligadas ao empresário têm sede registrada em um mesmo endereço no Brooklin, zona sul da capital paulista. No local, segundo as vítimas, há um imóvel sem identificação, portões trancados e sinais de abandono.

Além da condenação trabalhista, há investigações em curso. Na Bahia, a 16ª Delegacia Territorial (Pituba) abriu inquérito após denúncia de um dos escritórios, que também pediu sequestro de bens e prisão preventiva do empresário. Em São Paulo, a Delegacia de Vargem Grande Paulista conduz diligências para apurar os fatos. A Ordem dos Advogados do Brasil informou não ter localizado registros sobre o caso.

O Metrópoles tentou contato com Maurice Chang Neto por e-mail, telefone e mensagem, mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

Com informações de Metrópoles

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