O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), órgão ligado ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encaminhou em 19 de julho de 2026 representações à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Federação Internacional de Futebol (FIFA) sobre episódios de racismo, discriminação racial e discurso de ódio verificados durante a Copa do Mundo de 2026.
As denúncias foram enviadas ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (CCPR), à Relatoria Especial da ONU para Formas Contemporâneas de Racismo, ao Grupo de Trabalho da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos e ao canal oficial de queixas da FIFA. O documento sustenta que Estados Unidos, Canadá e México, sedes do torneio, bem como outros países envolvidos, têm obrigações previstas em tratados internacionais para prevenir, investigar e responsabilizar autores de manifestações de ódio registradas em seus territórios.
Segundo o CNDH, o objetivo da medida é ampliar a responsabilização e reforçar ações de prevenção, investigação e reparação relacionadas a violações de direitos humanos no esporte. A entidade informou ter analisado mais de seis milhões de publicações referentes ao campeonato, das quais cerca de 89 mil foram classificadas como abusivas; aproximadamente 11% continham conteúdo considerado racial.
Nos pedidos dirigidos à FIFA, o conselho solicitou que a atuação da federação seja examinada à luz dos Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos. A presidente do CNDH, Ivana Leal, declarou que os dados levantados indicam a necessidade de os Estados adotarem medidas efetivas de prevenção, responsabilização e proteção às vítimas.
O relator Carlos Nicodemos apontou que os episódios relatados ultrapassam o âmbito esportivo e demandam ação conjunta de organismos internacionais, ressaltando que o futebol reflete dinâmicas sociais e expõe a importância de fortalecer mecanismos de defesa dos direitos humanos.
Entre os casos mencionados estão os ataques racistas dirigidos ao atacante francês Kylian Mbappé após a partida contra o Paraguai, que incluíram declarações ofensivas da senadora paraguaia Celeste Amarilla, posteriormente condenadas pelo governo do Paraguai, pelo presidente francês Emmanuel Macron e pela Federação Francesa de Futebol. O conselho também citou artigo do ex-primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, que questionou a identidade nacional de jogadores negros da seleção francesa, levando a críticas de autoridades espanholas e francesas e a um pedido formal de desculpas do governo espanhol.
Outro episódio incluído na representação envolve investigação aberta pela FIFA sobre insultos racistas dirigidos ao influenciador norte-americano IShowSpeed por torcedores argentinos. Entidades e veículos internacionais também registraram outros atos discriminatórios contra jogadores, torcedores e personalidades ligadas ao futebol ao longo do torneio.
Com informações de Gazeta do Povo
