O ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski declarou nesta sexta-feira (29) que o Brasil pode se transformar em um “pária internacional” depois de os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, publicada na Folha de S. Paulo, Lewandowski afirmou que a presença de grupos rotulados dessa forma afugenta investidores estrangeiros e eleva o custo para aplicar recursos no país. Segundo ele, empresas que mantiverem relação, ainda que indireta ou não intencional, com as facções podem passar a enfrentar sanções criminais, além de medidas administrativas e fiscais.
O ex-ministro recordou posicionamento manifestado no ano passado, quando defendeu que o terrorismo tem componente ideológico, atuação política e repercussão social, enquanto as facções criminosas se caracterizam por praticar sistematicamente crimes previstos na legislação brasileira.
No governo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ao jornal O Globo temer que os Estados Unidos adotem sanções discricionárias capazes de atingir bancos, fundos, fintechs e até o sistema de pagamentos Pix. Ele relatou que existe preocupação entre instituições financeiras de se tornarem alvos caso autoridades norte-americanas considerem que determinadas contas ou infraestruturas estejam sendo usadas pelas facções agora enquadradas como terroristas.
Durigan acrescentou que, se necessário, o Executivo oferecerá suporte aos segmentos afetados, citando o auxílio concedido durante o “tarifaço” imposto pela gestão de Donald Trump no ano passado.
Com informações de Gazeta do Povo
