A Divisão de Repressão à Corrupção da Polícia Civil do Tocantins (PCTO) cumpriu mandados de busca e apreensão na quinta-feira (10) contra a Medic 360 Serviços Médicos e contra a empresária Maria Luiza de Barba, sócia da companhia. As medidas foram autorizadas pela 1ª Vara de Garantias de Palmas após representação que mencionou informações reveladas pelo Metrópoles em maio sobre pagamentos da empresa a uma agência de veículos apontada pela Polícia Civil de São Paulo como intermediária do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a decisão do juiz Milton Lamenha, a prefeitura de Palmas terceirizou a gestão de duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba (SP), que, por sua vez, subcontratou a Medic 360. Maria Luiza atua como procuradora da organização social e, simultaneamente, recebe recursos como sócia da Medic 360, o que levou os policiais a apontarem possível conflito de interesses.
Documentos apresentados à Justiça indicam que a prefeitura repassou R$ 11,5 milhões à Santa Casa apenas em abril. Deste montante, R$ 6,4 milhões foram destinados à Medic 360. A análise de movimentações bancárias mostrou que Maria Luiza direcionou, por Pix e transferências, R$ 6.474.693,64 à própria empresa, valor que o juiz considerou incompatível com a execução do contrato.
Na mesma operação, a PCTO realizou buscas na residência da empresária no Rio de Janeiro, na sede da Medic 360 no bairro de Pinheiros, em São Paulo, na Santa Casa em Palmas e em um endereço de Itatiba atribuído ao provedor da Santa Casa, Emerson Neto.
A investigação do Tocantins também apura o envolvimento da Mediplus Serviços Médicos, ligada ao empresário Thiago Telles Batista de Souza. A Polícia Civil paulista aponta Telles, apelidado de “Tom Cruise”, como controlador da Mediplus e de outras empresas que atuavam em Goiás para a organização social Imed. Policiais afirmam haver indícios de que Maria Luiza seria laranja de Telles.
Relatório da Polícia Civil de São Paulo indica que, em 16 de maio de 2024, uma empresa controlada por Telles transferiu R$ 351 mil para a R. Braga Comércio de Veículos, ligada à agência de luxo Keycar, e que a Medic 360 efetuou, no mesmo dia, pagamento de R$ 394 mil por meio da Braga Administradora de Bens. A Keycar é apontada como intermediária financeira do PCC.
Na primeira fase da Operação Falsa Emergência, a PCTO relatou direcionamento na escolha da Santa Casa para um contrato de R$ 139 milhões com o município, supressão de etapas legais, elaboração artificial de documentos públicos e majoração de custos, resultando no indiciamento de dez pessoas por corrupção, desvio de recursos e lavagem de dinheiro.
A defesa de Thiago Telles nega participação nas empresas e qualquer ligação com o PCC. A Medic 360 informou que está colaborando com as autoridades. A Mediplus não respondeu aos questionamentos da reportagem. A Santa Casa de Misericórdia de Itatiba afirmou ter encaminhado documentos considerados pertinentes e disse que grande parte do material já estava disponível no Portal da Transparência; declarou não ser parte no processo, embora a decisão judicial a cite como alvo das buscas. A Secretaria de Saúde de Palmas comunicou que continua colaborando com as investigações e seleciona nova organização social para administrar as UPAs.
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado declarou que órgãos de investigação e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) deveriam ter informado o estado sobre pessoas com eventuais vínculos com o PCC. O advogado de Telles afirmou que o cliente comprou carros de luxo e que associações feitas pelas autoridades foram posteriormente reavaliadas, mas confirmou que o empresário foi indiciado por lavagem de dinheiro na Operação Falso Mercúrio, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo.
Com informações de Metrópoles
