Um estudo conduzido por pesquisadores do Brasil e da Europa descreve um trajeto da Terra à Lua que reduz em 58,80 metros por segundo a velocidade necessária de propelente, em comparação com a rota mais econômica registrada até agora. O custo total da manobra passa de 3.342,96 m/s para 3.284,16 m/s, diferença que representa economia de milhões de dólares em combustível, segundo Allan Kardec de Almeida Júnior, da Universidade de Coimbra, autor principal do artigo publicado na revista Astrodynamics.
A equipe adotou a teoria das conexões funcionais para diminuir o custo computacional das simulações. Enquanto um trabalho de referência avaliou 280 mil trajetórias, o novo levantamento analisou 30 milhões de possibilidades. Vitor Martins de Oliveira, pós-doutorando no Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da USP e coautor do estudo, afirma que o método permite examinar as opções de forma sistemática, sem pressupor qual delas seria mais eficiente.
A proposta divide a viagem em duas fases. Na primeira, a espaçonave deixa a órbita terrestre e segue até uma órbita ao redor do ponto lagrangiano L1, região onde as gravidades da Terra e da Lua se equilibram. Grande parte do percurso é realizada por meio de uma variedade, trajetória natural que conduz até esse ponto neutro.
As simulações indicaram que a rota mais barata não utiliza a entrada na variedade próxima da Terra, como supunham modelos anteriores, mas acessa a trajetória pelo lado oposto, mais próximo da Lua. Para Oliveira, a análise comprova que soluções não triviais podem ser mais vantajosas.
Uma vez em órbita de L1, a nave pode permanecer no local pelo tempo que a missão exigir, mantendo comunicação contínua tanto com a Terra quanto com a Lua. Dessa forma, evita-se a interrupção de contato verificada na missão Artemis 2, que ficou cerca de 30 minutos sem sinal ao passar atrás do satélite natural.
Os autores destacam que a rota ainda pode ser otimizada. O estudo considerou apenas as influências gravitacionais da Terra e da Lua; a inclusão da atração solar tendencialmente ampliaria a economia de combustível, mas limitaria as janelas de lançamento a datas específicas. Almeida explica que seria necessário simular a trajetória para cada posição do Sol, o que tornaria os resultados válidos apenas para missões iniciadas no dia determinado, como 23 de dezembro, por exemplo.
Com informações de Olhar Digital
