A Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado Federal aprovou, na terça-feira (28), dois requerimentos destinados a esclarecer a atuação da Polícia Federal (PF) na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL) pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE). O colegiado é presidido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República.
Foram convidados a prestar esclarecimentos o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o delegado Marcelo Ivo de Carvalho. Marcelo recebeu ordem para deixar o território norte-americano após monitorar Ramagem e, segundo as autoridades dos Estados Unidos, teria “manipulado o sistema de imigração” para driblar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas no país.
Durante a votação dos convites, o senador Jorge Seif (PL-SC) descreveu Ramagem como “homem honrado”, afirmou que o episódio configurou detenção e não prisão e declarou que pretende apurar o que chamou de informação falsa do governo brasileiro sobre suposta cooperação na captura e repatriação do ex-parlamentar. O senador também declarou não se recordar de outro agente federal brasileiro expulso de território estrangeiro e criticou a política de segurança pública interna e externa.
A detenção de Ramagem surpreendeu a imprensa e gerou versões conflitantes. Inicialmente divulgada como prisão, a ocorrência foi vinculada pela PF a uma cooperação internacional e à condenação do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no Supremo Tribunal Federal no chamado núcleo 1. Pouco depois, o empresário Paulo Figueiredo, que reside nos Estados Unidos, divulgou nota na qual classificou o caso como detenção decorrente de uma infração de trânsito leve e afirmou que o governo brasileiro não participou da ação.
Com a perda do mandato de deputado, Ramagem teve o passaporte diplomático revogado. Andrei Rodrigues atribuiu a detenção a uma possível condição migratória irregular, indicando que a investigação da PF reuniu elementos junto à procuradora Rebeca Ramagem, esposa do ex-parlamentar. Figueiredo, por sua vez, alegou existir um pedido de asilo pendente, situação que, segundo a advogada Larissa Salvador, especialista em direito migratório nos Estados Unidos, autorizaria a permanência no país até a conclusão da análise.
O episódio provocou tensão diplomática, levando o governo brasileiro a adotar o princípio da reciprocidade e expulsar o agente do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos Michael William Myers.
Com informações de Gazeta do Povo
