Novas imagens registradas pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, revelam com alta resolução a nebulosa Tc 1, situada a aproximadamente 10 mil anos-luz da Terra, na direção da constelação de Ara, no hemisfério sul. Os dados mostram uma estrela em fase final de vida cercada por estruturas complexas de gás e poeira, além de confirmarem a existência de moléculas de carbono conhecidas como buckyballs.
No centro da nebulosa permanece o remanescente estelar, uma anã branca extremamente quente que já não produz energia por fusão nuclear, mas ainda irradia intensamente. Essa radiação ilumina o material circundante, permitindo identificar regiões de gás mais quente, vistas em tons azulados, e áreas mais frias, registradas em vermelho nos comprimentos de onda infravermelhos captados pelo JWST.
A região já tinha chamado a atenção dos pesquisadores em 2010, quando observações do então telescópio Spitzer detectaram pela primeira vez fulerenos no espaço. As novas imagens do James Webb, obtidas com instrumentos mais sensíveis e um espelho maior, exibem detalhes inéditos e variações químicas sutis que não eram discerníveis pelo Spitzer, aposentado em 2020.
O pesquisador Jan Cami, da Western University, no Canadá, afirma que o nível de detalhe agora alcançado revela estruturas inesperadas e suscita novas questões sobre a formação e o comportamento dessas moléculas em ambientes de alta radiação e baixa densidade. A equipe de pesquisa conta ainda com Simon Van Schuylenbergh, Els Peeters, Morgan Giese, Charmi Bhatt e Dries Van De Putte.
As buckyballs, ou buckminsterfulerenos, são compostos formados exclusivamente por átomos de carbono dispostos em uma estrutura fechada que lembra uma bola de futebol. Pertencem ao grupo dos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e são consideradas extremamente estáveis. Além de nebulosas de estrelas em fim de vida, esses compostos já foram identificados em estrelas jovens, nuvens interestelares, regiões de formação estelar e meteoritos, mas a frequência de ocorrência varia de forma que ainda intriga a comunidade científica.
Modelos atuais não explicam completamente a emissão infravermelha observada nessas moléculas, indicando processos físicos mais complexos do que se supunha. Análises conduzidas por Morgan Giese mostram que, na Tc 1, os fulerenos parecem formar uma camada ao redor da anã branca, configuração cuja origem permanece sem explicação definitiva.
Os pesquisadores planejam novas observações de nebulosas semelhantes com o James Webb para investigar como a radiação proveniente das estrelas centrais influencia a química local e a evolução dessas moléculas, contribuindo para esclarecer como elementos essenciais à vida se dispersam pelo Universo.
Com informações de Olhar Digital
