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Mensagens investigadas de Lulinha ampliam desgaste de Lula e encurtam distância para Flávio Bolsonaro

Mensagens trocadas entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger, vazadas em 17 de agosto, passaram a integrar inquéritos da Polícia Federal no Supremo Tribunal Federal (STF) e indicam indícios de tráfico de influência. Analistas ouvidos pela reportagem consideram que o episódio prejudica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e cria condições para o crescimento eleitoral do senador Flávio Bolsonaro.

O cientista político Leandro Gabiati, diretor da Dominium Consultoria, avaliou que a oposição deve explorar o tema até a eleição, provocando desgaste junto ao eleitorado moderado e indeciso. As conversas, interceptadas no WhatsApp pela Polícia Federal, abrangem o período de 2023 a 2024 e citam contatos com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e então chefe de gabinete de Lula, e com Wedenberger Barbosa, chamado de Berger e, à época, secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Entre as apurações em curso, Lulinha é investigado por supostamente facilitar negociações de empresas interessadas em comercializar produtos de cannabis medicinal com o Ministério da Saúde. O ministro André Mendonça conduz os procedimentos no STF, que ainda não têm conclusão.

Roberta Luchsinger já era investigada pelo recebimento de R$ 1,5 milhão de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, suspeito de desvios no órgão. Em mensagens obtidas pela Polícia Federal, Antunes teria mencionado mais uma transferência de R$ 300 mil destinada, segundo ele, ao “filho do rapaz”, apontando para Lulinha. Em março de 2024, Roberta descreveu ao filho do presidente que o grupo atuava em “nível diferenciado” e comentou que o “futuro é a Suíça”.

A defesa de Lulinha informou que as mensagens representam recortes seletivos de material sigiloso, contestou a divulgação parcial e afirmou que o cliente se manifestará apenas após acesso integral aos autos. Advogados reiteraram confiança no Judiciário e classificaram os vazamentos como fragmentos que podem estar fora de contexto.

A divulgação também cita uma empresa privada que obteve contratos federais de aproximadamente R$ 85 milhões e envolve investigação na estatal Dataprev por suspeitas de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A Polícia Federal interceptou ainda diálogo no qual Roberta acerta com Marcola a compra de joias em 29 de abril de 2024, véspera do Dia das Mães.

O Palácio do Planalto procura dissociar o presidente do caso, mas o cientista político Marcos Quadros, diretor acadêmico da Universidade Estácio, considera que o dano político já está incorporado à imagem do governo. Ele apontou que escândalos recentes ou explorados com mais intensidade tendem a pesar na decisão dos eleitores indecisos.

A abertura de investigações contra Lulinha repercutiu nas pesquisas do Instituto Quaest. Em 15 de julho, o levantamento registrava Lula com 45% das intenções de voto contra 37% de Flávio Bolsonaro no segundo turno, vantagem de oito pontos. Após a autorização, em 30 de julho, de dois inquéritos no STF e a instauração de um terceiro em 3 de agosto, a pesquisa de 5 de agosto mostrou Lula com 44% e Flávio com 39%. No dia 14 de agosto, Lula marcou 43% e o adversário 40%, diferença de três pontos, enquadrada como empate técnico. Os levantamentos estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral sob os números BR-07181/2026, BR-06591/2026 e BR-06773/2026.

No Congresso, a oposição intensificou a pressão. O senador Carlos Viana protocolou pedido ao STF para preservar provas e avaliar a oitiva de Lulinha, afirmando que ninguém deve ficar fora do alcance das investigações. Na Câmara, o líder da Oposição, deputado Cabo Gilberto Silva, anunciou representação na Procuradoria-Geral da República com pedidos semelhantes.

Lula declarou que o filho deve apresentar defesa e, se inocente, demonstrar isso; caso contrário, responder pelos atos. As defesas de Marco Aurélio Santana Ribeiro e de Wedenberger Barbosa não foram localizadas.

Com informações de Gazeta do Povo

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