O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou, na noite de terça-feira (15), durante sabatina na TV Record, que o chefe do Executivo precisa ter prerrogativa para intervir na condução da economia e voltou a criticar a independência formal do Banco Central (BC), modelo em vigor desde 2021.
Lula avaliou que a autonomia da autoridade monetária não solucionou problemas econômicos e limitou a capacidade de um governo eleito implementar o programa aprovado pelo eleitorado. Ele acrescentou que, no entendimento dele, quem resolve os impasses é a atuação direta do presidente da República, atualmente impossibilitada pelas regras vigentes.
Desde o início de seu terceiro mandato, o presidente tem contestado o BC em função da taxa básica de juros, mantida em 14%. A diretoria do Comitê de Política Monetária (Copom) atualiza a Selic nesta quarta-feira (16), e o mercado projeta redução para 13,75%.
Entre os pontos mais criticados por Lula está a diferença de duração dos mandatos dos diretores da autarquia em relação ao mandato presidencial. Ele lembrou que, nos dois primeiros anos de governo, conviveu com Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o que, segundo Lula, diminuiu a influência direta do Executivo na política monetária.
O presidente costuma associar a autonomia do BC a uma maior consideração pelos interesses do mercado financeiro em detrimento das necessidades da população. Em períodos de juros elevados, ele já classificou a independência como “bobagem” e questionou a manutenção de inflação e taxas altas mesmo sem interferência direta do governo na instituição.
Ao recordar o período entre 2003 e 2010, Lula citou que Henrique Meirelles comandava o Banco Central com autonomia prática, mas baseada na confiança e na escolha feita pelo próprio governo, não em mandatos estabelecidos em lei.
Apesar das críticas, o Executivo vem seguindo os trâmites legais para preencher vagas na diretoria do Banco Central. Entre as nomeações está Gabriel Galípolo, posteriormente indicado para a presidência da autarquia.
Durante a sabatina, Lula rejeitou questionamentos sobre responsabilidade fiscal e afirmou que pretende manter o equilíbrio das contas públicas caso concorra e vença um quarto mandato. Segundo ele, cuidar do dinheiro público é atribuição do governo, e o desequilíbrio penaliza a população de menor renda.
O presidente declarou ainda que pretende aliar crescimento econômico, geração de empregos, aumento real do salário mínimo, redistribuição de renda e redução da inflação.
Com informações de Gazeta do Povo
