Peritos que avaliaram Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), registraram que o detento declarou intenção de disputar a Presidência da República e citou os jornalistas Patrícia Poeta e William Bonner como possíveis companheiros de chapa.
A informação consta em laudo produzido após exame psiquiátrico realizado em novembro do ano passado para analisar a possibilidade de o interno deixar a prisão. O documento aponta agravamento significativo do quadro clínico enquanto ele permanece na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS) e reforça a condição de inimputável.
No diálogo com os especialistas, Adélio afirmou que Patrícia Poeta seria a primeira opção para integrar a chapa. Se houvesse recusa, escolheria William Bonner, sob o argumento de que ambos transmitiriam credibilidade ao eleitorado. Os peritos avaliaram que essas declarações evidenciam comprometimento do senso de realidade e exacerbação da autoestima delirante, compatíveis com transtorno psicótico persistente.
O relatório descreve humor subjetivo tranquilo, porém ansioso e tenso, além de afeto reduzido e pouca variação emocional. Segundo o documento, ele apresenta juízo fortemente comprometido, percepção distorcida da realidade e incapacidade de compreender as consequências do atentado contra Bolsonaro. O diagnóstico permanece o de esquizofrenia paranoide.
Fontes que participaram da avaliação informaram que Adélio sofre alucinações durante a maior parte do tempo e possui prejuízo funcional relevante. Ele não reconhece estar doente nem aceita tratamento, comportamento que, de acordo com o laudo, indica ausência de insight. Registros de abril de 2025 já mostravam que o preso recusava medicação e afirmava não ser “doido”.
O parecer conclui que o detento apresenta transtorno mental crônico, caracterizado por sintomas positivos persistentes, prejuízo afetivo e recusa terapêutica, situação que exige cuidado especializado, contínuo e estruturado.
Adélio Bispo de Oliveira está encarcerado desde 2018, quando esfaqueou Jair Bolsonaro durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG), e continua custodiado no sistema penitenciário federal.
Com informações de Metrópoles
