A Justiça de São Paulo sentenciou Ligia Sanches Moro, apontada pela polícia como coordenadora do tráfico de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Baixada Santista e líder da ala feminina da facção, a 12 anos e três meses de prisão em regime fechado pelos crimes de organização criminosa e associação para o tráfico.
A intimação foi expedida pelo juiz Rafael Vieira Patara, da 4ª Vara do Foro de Itanhaém, na quarta-feira, 26/8. No mesmo dia, a defesa da ré protocolou pedido de revogação da prisão preventiva e substituição por prisão domiciliar.
Ligia está presa desde fevereiro, após ser detida em Itanhaém, no litoral paulista, em desdobramento de investigações da Polícia Civil. Registros do Tribunal de Justiça de São Paulo indicam que o filho dela encontra-se recolhido desde 30 de julho de 2024 por tráfico de drogas e responde também a processo por roubo de medicamentos.
Documentos policiais descrevem a condenada como figura de destaque entre integrantes do PCC, com papel central no controle e na distribuição de entorpecentes em áreas da Baixada Santista. As apurações apontam que ela e o filho eram responsáveis pelo recebimento, contabilidade e redistribuição das drogas aos pontos de venda vinculados à organização.
A investigada é alvo de procedimento por exercer a função conhecida como “sintonia geral dos estados”, considerada estratégica pela facção. Segundo a Polícia Civil, cabia a ela coordenar e articular diferentes núcleos do grupo, mantendo contato com membros que atuavam em Itanhaém, em outros municípios do litoral paulista e em regiões mais distantes.
Relatório policial registra que a investigação teve início a partir da identificação de uma área da Baixada Santista tida como um dos principais pontos de comercialização de drogas. Em diligências de campo, agentes reuniram indícios que, segundo o documento, relacionam diretamente Ligia aos integrantes do PCC responsáveis pelo abastecimento de células criminosas na região. A atuação atribuída a ela incluía o uso de veículo conduzido pelo filho para transportar os entorpecentes.
De acordo com a polícia, Ligia teria sido deslocada da capital paulista para assumir a função de abastecimento das estruturas locais do PCC. Na Baixada, especialmente em Santos, a facção movimenta bilhões de reais com o envio de drogas para a Europa, conforme relatado no inquérito.
Ligia e o filho possuem antecedentes por tráfico de drogas. Em 2016, durante a Operação Marrocos, conduzida pela 5ª Delegacia do Departamento de Narcóticos (Denarc), ela foi presa em flagrante com celulares, porções de maconha e crack, balança de precisão com vestígios de entorpecentes e R$ 400,50 em moedas, segundo os registros da Polícia Civil.
No curso da presente investigação, a Polícia Civil solicitou mandados de busca e apreensão no endereço de mãe e filho em Itanhaém, além de autorização judicial para acessar dados armazenados em dispositivos eletrônicos, com o objetivo de identificar outras células possivelmente ligadas ao esquema de tráfico na Baixada Santista.
Com informações de Metrópoles
