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Carla Zambelli é liberada na Itália após Suprema Corte anular extradição

A ex-deputada federal Carla Zambelli deixou a prisão na Itália nesta sexta-feira (22) depois que a Suprema Corte italiana anulou o processo de extradição para o Brasil. A liberação foi confirmada pelo advogado de defesa Fabio Pagnozzi, que informou ter apresentado o pedido de soltura originalmente previsto para análise na próxima semana; o trâmite foi antecipado pela Justiça.

Segundo Pagnozzi, a Corte identificou vícios processuais no Brasil que qualificariam Zambelli como alvo de perseguição política, permitindo que ela retornasse a sua residência em Roma. O advogado Pieremilio Sammarco acrescentou que o tribunal também levou em conta problemas de saúde da ex-parlamentar, como condições cardiológicas, depressão e fibromialgia.

Após deixar o presídio, Zambelli divulgou um vídeo no qual agradeceu o trabalho de Sammarco, descrevendo que o defensor teria enfrentado um sistema considerado por ela como gigantesco. No Brasil, Pagnozzi declarou que o julgamento reconheceu a existência de perseguição política e afirmou que sua cliente poderia voltar para casa como mulher livre.

A Advocacia-Geral da União, que acompanhou a sessão na Itália, foi procurada pelo jornal, mas não respondeu. O espaço permanece aberto para manifestações.

Zambelli está detida no país europeu desde julho de 2025. No Brasil, foi condenada a dez anos de prisão por suposto financiamento a uma invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O hacker Walter Delgatti Neto, também réu no caso, recebeu pena de oito anos e três meses e já cumpre regime aberto.

Mesmo com a decisão da Suprema Corte, a palavra final sobre a extradição cabe ao ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio, que dispõe de até um mês e meio para se pronunciar.

Antes da anulação, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes havia solicitado aos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores providências para acelerar a transferência da ex-deputada ao Brasil. A defesa apresentara alegações de parcialidade de Moraes, de condições prisionais inadequadas no sistema penal brasileiro e de ausência, na legislação italiana, de tipo penal equivalente ao de invasão de dispositivo informático. Esses argumentos foram rejeitados pela Corte de Apelação de Roma, mas aceitos posteriormente pela Corte de Cassação, resultando na revogação da extradição.

Com informações de Gazeta do Povo

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