Em meio a questionamentos sobre sua credibilidade, o Banco Master recorreu ao escritório de advocacia Barci de Moraes, ligado à família do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, para avaliar riscos na captação de recursos de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) de estados e municípios.
Um parecer elaborado em julho de 2024 por três profissionais da banca, entre elas uma filha e uma cunhada do ministro, concluiu que a instituição comandada por Daniel Vorcaro atendia aos requisitos para receber investimentos desses fundos, mas listou possíveis ocorrências de corrupção, conflitos de interesse e descumprimento administrativo. O documento orientou a criação de políticas internas, treinamentos e monitoramento das operações como forma de mitigar tais riscos.
O pedido foi feito pelo então superintendente de compliance do Master, Fabio de Souza Castanheira, período em que a Caixa Econômica Federal havia barrado a aquisição de R$ 500 milhões em letras financeiras do banco após identificar ativos considerados atípicos e de alto risco.
O escritório dirigido por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, firmou contrato de R$ 129 milhões com o banco em fevereiro de 2024. Segundo registros do Master, foram repassados R$ 80,2 milhões à banca entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, em 22 parcelas mensais de R$ 3,6 milhões, até a intervenção do Banco Central.
Na época da consulta, o Master já possuía credenciamento para receber aplicações do Rioprevidência e dos regimes próprios dos municípios de Cajamar (SP) e Maceió (AL), além de negociações com Campo Grande (MS), Paulista (SP) e Osasco (SP). O departamento responsável pela área contava com um único funcionário, mas projetava expansão e, posteriormente, recebeu aportes bilionários. As compras de letras financeiras pela rede de RPPS ocorreram de outubro de 2023 a dezembro de 2024.
Para o Ministério Público Federal, os valores captados junto aos regimes de previdência garantiram a continuidade do banco após o veto da Caixa. Nos últimos meses, a Polícia Federal abriu pelo menos quatro operações para apurar investimentos suspeitos de RPPS em produtos do Master; o caso de maior volume envolve R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência, incluindo buscas na residência do ex-governador fluminense Cláudio Castro.
Tanto o escritório Barci de Moraes quanto o ministro Alexandre de Moraes foram procurados, mas não se manifestaram.
Com informações de Metrópoles
