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Documento indica que Deolane Bezerra reestruturou empresas de fachada após prisão de funkeiros

Um documento apreendido na residência de Deolane Bezerra mostra que, semanas antes de ser detida por suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), a influenciadora iniciou alterações em suas empresas, supostamente para dificultar a localização de bens ligados ao crime organizado. Investigadores consideram que o movimento foi articulado após a prisão de outros influenciadores acusados de colaborar com a facção.

Em 14 de abril, a Polícia Federal deflagrou a operação Narco Fluxo, que identificou o funkeiro Ryan Santana dos Santos, o Mc Ryan, como líder de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. O cantor Marlon Brendon Coelho, o Mc Poze do Rodo, e Rafael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei, também foram alvos. Em outubro do ano passado, Bruno Alexander Souza Silva, conhecido como Buzeira da Roleta, foi preso pela mesma suspeita na operação Narco Bet.

No caso de Deolane, a acusação aponta que ela utilizava sua notoriedade para dar aparência de legalidade aos recursos do PCC. Para isso, teria aberto 35 empresas de fachada com endereço em uma casa de poucos metros quadrados, de tijolos aparentes, localizada no bairro Parque das Acácias, em Martinópolis (SP). Uma dessas firmas, a DB Santos Apoio Administrativo e Financeiro, criada em julho de 2020, teve o endereço transferido em 22 de abril de 2026 para a capital paulista, movimento interpretado pelos investigadores como parte do plano de reorganização societária.

Paralelamente, em 21 de maio, a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo lançaram a operação Vérnix contra um esquema de lavagem de dinheiro do PCC. A investigação começou após a descoberta de bilhetes na caixa de esgoto de uma cela na Penitenciária II Maurício Henrique Guimarães Pereira, em Presidente Venceslau (SP). Os papéis foram encontrados em 2019, quando dois presos tentaram descartá-los durante vistoria. O conteúdo detalhava a dinâmica interna da facção, tráfico de drogas dentro do presídio, atuação de lideranças e planos de atentados contra agentes públicos, inclusive um ex-diretor da unidade.

Um dos manuscritos mencionava uma cobrança de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, pela execução de um ataque e citava “aquela mulher da transportadora” que teria fornecido o endereço atualizado de um dos alvos. A busca por essa mulher levou a polícia a uma transportadora vizinha ao presídio e resultou, em 2021, na operação Lado a Lado. Na ocasião, foram apreendidos um celular e novas mensagens que indicavam repasses financeiros a Deolane e vínculos estreitos da influenciadora com um gestor fantasma da transportadora, apontada como braço financeiro do PCC.

Os investigadores afirmam que Deolane fornecia uma camada de aparente legalidade aos valores ilícitos ao exibir movimentação patrimonial e empresarial sem lastro econômico compatível. O esquema previa a entrada de recursos de origem não esclarecida por meio de empresas, bem como a aquisição ou vinculação a imóveis e veículos de luxo.

Com informações de Metrópoles

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