O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declara, nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, que a regulamentação proposta pelo governo para as grandes plataformas digitais não representa censura. Durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, ele afirma que o objetivo dos dois decretos publicados pelo Executivo é aumentar a fiscalização estatal e equiparar crimes cometidos no ambiente virtual aos praticados no mundo físico, manifestando preocupação com a ausência de controle, mas ressaltando considerar a internet importante para a humanidade.
No mesmo diálogo, Lula avalia que o fundo partidário e o fundo eleitoral estimularam, segundo suas palavras, a promiscuidade no sistema político. Ele recorda ter apoiado a criação desses mecanismos no passado, mas diz que hoje é contrário a eles e reconhece o desagrado de integrantes do Partido dos Trabalhadores quando aborda o tema.
O chefe do Executivo relata ter temido constrangimento público ao se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alegando receio de comportamento semelhante ao observado nos encontros do norte-americano com os presidentes Cyril Ramaphosa, da África do Sul, e Volodymyr Zelensky, da Ucrânia. Lula conta que, ao chegar à reunião, sugeriu a Trump conduzir primeiro uma conversa privada antes de falar com jornalistas, proposta que teria sido aceita.
Ao tratar da Operação Lava Jato, conduzida pelo então juiz Sergio Moro e pelo ex-procurador Deltan Dallagnol, Lula sustenta que a investigação representou a maior mentira do século 21 no país. Ele argumenta que a operação, na sua visão, foi impulsionada pelos meios de comunicação, não comprovou acusações e provocou prejuízos a diversas empresas. O presidente acrescenta não ter visto pedidos de desculpas após a anulação de suas condenações, decidida pelo Supremo Tribunal Federal em 2021, quando o tribunal declarou a suspeição de Moro.
Lula também defende que a população passará a se interessar por política caso os representantes eleitos sejam, segundo ele, dignos e comprometidos com o interesse público.
Sobre a minirreforma eleitoral aprovada pela Câmara dos Deputados em 19 de maio, o presidente diz que trabalhará para que o Senado rejeite o dispositivo que permite disparos em massa de mensagens durante campanhas. Ele afirma que vetará o texto se for aprovado pelos senadores.
Na área de segurança pública, Lula faz um apelo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que leve a plenário a Proposta de Emenda à Constituição aprovada na Câmara em março. O presidente afirma que, se a PEC for confirmada, recriará o Ministério da Segurança Pública em até quinze dias e argumenta não aceitar que organizações criminosas controlem territórios, reforçando que alguns governadores resistem à medida por não quererem abrir mão de atribuições.
Ao comentar o mercado de apostas esportivas on-line, Lula declara que proibiria todas as empresas do setor se a decisão dependesse apenas dele, mas reconhece que o tema precisa ser tratado em conjunto com o Congresso Nacional e o Poder Judiciário.
Com informações de Gazeta do Povo
