Com dois casos confirmados na madrugada de sábado (27) em Buriti do Tocantins, o estado encerra 2025 com 19 feminicídios. O total representa crescimento de 46% em relação a 2024, quando foram contabilizados 13 crimes desse tipo, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP).
Perfis das vítimas e locais dos crimes
O painel estatístico da SSP indica que sete assassinatos ocorreram dentro de residências, cinco na zona rural, dois em áreas periurbanas ou urbanas, um em via pública e outro em uma represa. Gurupi lidera o ranking de ocorrências, com cinco casos, seguida por Tocantinópolis, com três. A maioria dos crimes (dez) aconteceu à noite. Novembro foi o mês mais violento, com cinco mortes, e as segundas-feiras concentram o maior número de registros, também cinco.
Casos recentes
Entre os crimes que chocaram o estado está o de Maysa Rodrigues Fernandes Cardoso, 35 anos, morta em Gurupi. O marido, 41, teria permanecido 24 horas com o corpo antes de enterrá-lo em uma área de mata. A filha do casal, de 18 anos, acionou a Polícia Militar após estranhar o sumiço da mãe.
Em Arraias, Aliny Pereira de Ornelas, 25, foi morta por Edivaldo Teixeira Chaves, 36, que se suicidou em seguida. Familiares relataram que o agressor não aceitava o fim do relacionamento, encerrado havia cerca de dois meses.
Já em Figueirópolis, a técnica de enfermagem Daiany Batista de Carvalho, 31, foi executada a tiros. Um homem de 38 anos foi preso e disse ter recebido R$ 5 mil para cometer o crime. O ex-vereador de Sandolândia Genivaldo Mendes da Silva, 47, é apontado como mandante.
No norte do estado, em Esperantina, Antônia Taynara Sousa Silva, 20, morreu esfaqueada na própria casa. O companheiro, Francimar de Almeida da Silva, 47, foi preso e já tinha histórico de violência doméstica, segundo a Polícia Militar.
Relato de sobrevivente
A designer de unhas Lilia Batista contou que viveu dois anos em um relacionamento abusivo marcado por agressões e tentativas de homicídio. Após não se sentir protegida no estado onde morava, ela se mudou para o Tocantins. “Criei coragem, coloquei um ponto final e fui embora”, recordou.
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Apoio e denúncias
Para denúncias, a população pode acionar o telefone 153 da Guarda Metropolitana ou o 180 da Central de Atendimento à Mulher. O comandante da Guarda Metropolitana de Palmas, Gilmar Fernandes, orienta que a vítima, se possível, use códigos ou pretextos para pedir socorro sem alertar o agressor.
Entre agosto e novembro, a Casa da Mulher Brasileira, em Palmas, acolheu 915 mulheres. Segundo a superintendente de Proteção Social, Marlucy Albuquerque, o suporte inclui abrigo, acompanhamento psicossocial e orientação jurídica.
Panorama judicial
Mais de 12 mil processos relacionados à violência contra a mulher tramitam na Justiça tocantinense. A juíza Cirlene de Assis informou que, em 2025, foram julgados mais de 70 casos de feminicídio e mais de 4 mil ações envolvendo violência doméstica, colocando o Tocantins como o quinto estado mais violento do país para mulheres.
Com informações de G1 Tocantins
