A menos de duas semanas para o primeiro turno das eleições de 2026, diligências ligadas ao caso Banco Master permanecem represadas devido a uma série de medidas tomadas no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Polícia Federal (PF). As providências postergam etapas que poderiam ampliar as apurações sobre suspeitas de corrupção, fraudes financeiras e vínculos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades públicas.
A Operação Compliance Zero, voltada ao caso Master, teve sua décima e última fase ostensiva em 9 de julho, quando foram cumpridos mandados contra o publicitário Thiago Miranda por suspeitas de intimidação de jornalistas, monitoramento de pessoas próximas a autoridades e interferência em investigações. Desde então, apesar do volume de material recolhido e da avaliação interna de que ele sustentaria até 60 novas fases, nenhuma nova operação foi autorizada.
Fontes consultadas pela reportagem atribuem a paralisação à crise instalada no STF. Em julho, o presidente da Corte, Edson Fachin, mandou que o ministro André Mendonça remetesse a ele os processos Master e INSS. Em consequência, a PF suspendeu o envio de novos pedidos de operações, mantendo os inquéritos formalmente abertos, mas sem avanços públicos antes do pleito.
Outro entrave ocorreu em 22 de setembro, quando o ministro Cristiano Zanin rejeitou pedido liminar do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master. O requerimento, protocolado em 9 de março com 41 assinaturas — 14 a mais que o mínimo necessário —, pretende apurar eventuais relações de Daniel Vorcaro com os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Zanin solicitou informações a Alcolumbre antes de nova análise, mantendo o tema sem desfecho imediato e dificultando qualquer movimentação do Congresso nas semanas que antecedem a votação.
No próprio STF, a discussão sobre duas petições centrais do caso segue indefinida. Uma delas reúne indícios extraídos do celular de Vorcaro que apontariam possível corrupção de Moraes; a outra decorre de pedido de Moraes para investigar Mendonça, a partir de relatórios de inteligência sobre sua atuação nos casos Master e INSS. O plenário iniciou o exame em 15 de setembro, mas o ministro Flávio Dino pediu vista após sugerir, com Gilmar Mendes, a reunião dos processos e o sorteio de nova relatoria. Fachin continua responsável pelos procedimentos, e qualquer decisão sobre sorteio, manutenção da relatoria ou devolução dos autos para Mendonça deve ficar para depois do primeiro turno.
As incertezas atingem todo o inquérito. Segundo apuração da reportagem, desde julho Mendonça deixou de despachar sobre solicitações complementares da PF. Com o ambiente interno em conflito, a PF também interrompeu pedidos de novas operações, o que reduziu o ritmo das investigações.
Em setembro, o STF liberou 25,3 GB de arquivos referentes ao caso, distribuídos em 15 procedimentos, entre eles os inquéritos 5.026 e 5.035. Há milhares de documentos abertos, mas cerca de 160 peças continuam sob sigilo, pois contêm informações de diligências em curso, quebras de sigilo e dados bancários e fiscais cuja divulgação poderia prejudicar as apurações.
O cronograma de depoimentos também foi afetado. A PF atendeu solicitação da defesa de Vorcaro e adiou as oitivas marcadas para 24 e 30 de setembro, alegando necessidade de acesso integral aos autos para preparação do ex-banqueiro, conforme a Súmula Vinculante 14 do STF. As novas datas devem ultrapassar o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Uma das oitivas abordaria operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB); a outra investigaria a estrutura conhecida como “A Turma”, supostamente utilizada para monitorar pessoas, obter informações sigilosas e pressionar adversários.
Paralelamente, as defesas de Vorcaro e de aliados passaram a encaminhar pedidos diretamente a Fachin para revisão de prisões. Em 25 de setembro, o presidente do STF solicitou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste, em cinco dias, sobre pleitos pendentes nos casos Master e INSS, incluindo revisões de custódia, manifestação de Mendonça sobre relatórios e pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para resguardar o sigilo de comunicações profissionais. Após o parecer, os autos retornarão a Fachin para nova avaliação.
Com informações de Gazeta do Povo
