Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e de outras instituições acadêmicas disponibilizam um simulador que reproduz a Copa do Mundo de 2026 milhares de vezes para estimar as chances de cada seleção avançar e conquistar o título.
A ferramenta, apresentada pelo Jornal da USP, integra o projeto Previsão Esportiva, que desde a Copa de 2010 aplica modelos matemáticos a resultados de futebol. Na edição de 2026, o algoritmo foi aberto para qualquer interessado ajustar variáveis, alterar pesos de critérios e observar, em tempo real, como pequenas mudanças afetam as probabilidades das equipes.
O simulador não se destina a apostas; o objetivo é demonstrar de forma prática o funcionamento de modelos estatísticos. Além do ambiente interativo, o projeto reúne estimativas de classificação e título por seleção, projeções de confrontos na fase de grupos, simulações completas de chaveamento, bolão colaborativo para pesquisas acadêmicas e cenários criados pelos usuários.
Francisco Louzada Neto, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, aponta que o recurso serve como laboratório vivo de aprendizado. Segundo o docente, o futebol facilita a compreensão de conceitos como eventos independentes, probabilidade condicional e resultados improváveis, além de auxiliar alunos na visualização de Cadeias de Markov, Inferência Bayesiana e Simulações de Monte Carlo.
Antes do início do torneio, a equipe executou um milhão de simulações completas da competição e não identificou um favorito absoluto. Os cálculos indicam a Espanha com 15,9% de chance de erguer a taça, seguida de França (14,8%), Inglaterra, Portugal, Brasil e Argentina. Para a seleção brasileira, o modelo aponta classificação em 95% dos cenários e probabilidade de título de 8,3%, índice que sobe para 55,6% se a equipe alcançar a final. O mesmo conjunto de testes indica a Holanda como adversário mais provável do Brasil nos 16-avos de final, presente em 31% dos cenários.
Ricardo Rocha, professor da UFBA e coordenador do projeto, afirma que uma das metas é aproximar a população das técnicas desenvolvidas nas universidades, usando o interesse popular pelo futebol para mostrar como métodos estatísticos se aplicam ao cotidiano.
Com informações de Olhar Digital
