O papa Leão XIV divulgou nesta segunda-feira (25) a encíclica Magnifica Humanitas, documento assinado em 15 de maio que faz um apelo pela proteção da dignidade humana diante do avanço da inteligência artificial (IA). A carta foi apresentada no Vaticano com a presença do pontífice e de integrantes da cúpula da Igreja Católica, entre eles os cardeais Víctor Manuel Fernández, Michael Czerny e o secretário de Estado Pietro Parolin. Compareceram também as teólogas Anna Rowlands e Leocadie Lushombo, além de Christopher Olah, cofundador da Anthropic.
Com 245 parágrafos distribuídos em cinco capítulos, a encíclica integra o Magistério Social da Igreja e aborda os efeitos da tecnologia sobre trabalho, comunicação, política e conflitos armados. No texto, Leão XIV afirma que a humanidade se encontra diante de uma decisão crucial entre repetir a construção de uma nova torre de Babel ou consolidar uma sociedade baseada em cooperação e respeito à dignidade humana. O papa observa que a tecnologia não é intrinsecamente má nem neutra, pois reflete os interesses de quem a cria, financia e controla.
O documento compara o momento atual à Revolução Industrial retratada na encíclica Rerum Novarum, publicada por Leão XIII em 1891, e sustenta que o desenvolvimento tecnológico deve ser acompanhado por regulamentação, responsabilidade e supervisão pública. A carta critica a concentração de poder tecnológico em poucos grupos econômicos e solicita políticas que contenham efeitos nocivos sobre a sociedade.
Entre os temas centrais está o impacto da IA no trabalho. O papa declara que a automação não pode ser justificativa para desemprego em massa nem para a precarização das relações laborais, defendendo que sistemas tecnológicos sejam projetados com foco na pessoa humana, além de desempenho e lucro. A encíclica condena novas formas de exploração na economia digital, menciona o “colonialismo de dados” como prática que amplia desigualdades e faz referência às condições dos trabalhadores na extração de minerais usados pela indústria tecnológica.
O texto propõe uma “ecologia da comunicação” fundamentada em transparência, proteção de dados e combate à desinformação. Leão XIV recomenda educação para o uso crítico das tecnologias digitais e alerta para riscos de dependência e controle social exercidos por plataformas digitais.
Na área militar, a encíclica repudia armas autônomas letais e sustenta que decisões sobre vida e morte não devem ser delegadas a algoritmos. Durante a apresentação, o pontífice resumiu a preocupação afirmando ser necessário desarmar a IA. O Vaticano informou que o documento busca superar a lógica da “guerra justa”, fomentar diálogo internacional e promover cooperação multilateral, ressaltando que a prosperidade tecnológica só contribui para a paz quando distribuída de forma inclusiva e sustentável.
Com informações de Olhar Digital
