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NASA encerra missão da sonda MAVEN após contato ser considerado irrecuperável

A NASA confirmou o término da missão da sonda orbital MAVEN depois de pouco mais de dez anos de estudo da atmosfera de Marte. A decisão foi anunciada após a perda definitiva de comunicação com o veículo robótico, que, segundo engenheiros, entrou em um estado sem possibilidade de recuperação.

O último sinal da espaçonave foi registrado em dezembro de 2025, encerrando meses de tentativas de reativação. O projeto, criado para investigar a evolução climática do Planeta Vermelho, operou além da estimativa inicial de dez anos e forneceu dados que embasarão futuras missões tripuladas.

Os problemas começaram em 6 de dezembro de 2025, quando a sonda passou atrás de Marte em um procedimento rotineiro que costuma interromper as comunicações por 20 a 30 minutos. Após a manobra, a MAVEN não respondeu. Dados parciais indicaram que o veículo emergiu girando a 2,7 rotações por minuto, situação considerada anômala e crítica, pois a sonda foi projetada para funcionar de modo estável.

A rotação impediu o alinhamento correto dos painéis solares, esgotando as baterias e desligando o sistema de transmissão. Um comitê de revisão técnica convocado em fevereiro de 2026 concluiu que a espaçonave permanecia inoperante; um relatório detalhado sobre a falha deve ser divulgado em breve.

Antes de encerrar a missão, engenheiros enviaram comandos de reinicialização ao computador de bordo e utilizaram o radiotelescópio do Green Bank Observatory em tentativas de localização. A recuperação foi prejudicada pela conjunção solar de Marte, entre 29 de dezembro de 2025 e 16 de janeiro de 2026, período em que o Sol bloqueia os sinais de rádio entre os planetas. No solo, o rover Curiosity procurou a MAVEN no céu em meados de dezembro, sem sucesso.

Mesmo desligada, a sonda continuará em órbita elíptica que varia de 180 km a 4.000 km de altitude. Estimativas apontam que a estrutura deva permanecer de 50 a 100 anos ao redor de Marte antes de reentrar e se desintegrar na atmosfera, sem risco de colisão com outros veículos ativos. O fim antecipado impede a MAVEN de complementar os dados da missão ESCAPADE, lançada em novembro de 2025 para analisar a atmosfera marciana.

Lançada de Cabo Canaveral em novembro de 2013 e inserida na órbita de Marte em 2014, a MAVEN — sigla de Mars Atmosphere and Volatile Evolution — foi a primeira missão dedicada exclusivamente à análise dos gases do planeta. Suas medições indicaram que, há mais de três bilhões de anos, Marte possuía atmosfera densa e volumes significativos de água líquida em rios e deltas, condições consideradas propícias ao surgimento de vida microbiana.

A pesquisadora principal, Shannon Curry, da Universidade do Colorado Boulder, relatou que a sonda mostrou como os ventos solares removem gradualmente moléculas de ar marciano, convertendo o planeta em deserto. Entre as contribuições, a MAVEN mapeou ventos de alta altitude, registrou a tempestade global de poeira de 2018 e identificou auroras marcianas, incluindo uma emissão de luz verde observada em conjunto com o rover Perseverance.

O veículo também monitorou a passagem dos cometas Siding Spring e 3I/ATLAS. Para Louise Prockter, diretora da Divisão de Ciência Planetária da NASA, o conjunto de informações coletado é essencial para definir estratégias de proteção contra radiação antes de enviar astronautas a Marte.

Além do aspecto científico, a MAVEN atuava como o segundo nó mais ativo da Rede de Transmissão de Marte, parceria da NASA com a Agência Espacial Europeia para retransmitir dados dos rovers Curiosity e Perseverance. A diretora do programa de exploração de Marte, Tiffany Morgan, anunciou que quatro sondas continuam operacionais em órbita e que a rede mantém resiliência, embora pequenas mudanças operacionais e atrasos pontuais no recebimento de dados já tenham sido implementados, conforme confirmado também pelo gerente adjunto Greg Heckler.

Com informações de Olhar Digital

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