Três anos após ter devolvido um Pix de R$ 131.870.227,00 recebido por engano, o motorista de turismo Antônio Pereira do Nascimento, 59 anos, afirma que continua enfrentando críticas pela decisão e aguarda na Justiça o pagamento de 10% do valor como direito de recompensa, além de R$ 150 mil por danos morais.
O depósito equivocado ocorreu em junho de 2023, quando um erro operacional de um banco particular manteve o montante disponível durante cerca de sete horas. Assim que percebeu o valor, o correntista de 25 anos do Banco Bradesco informou a instituição e realizou a devolução.
Em 2024, o motorista ingressou com ação na 6ª Vara Cível de Palmas solicitando R$ 13.187.022,00 referentes ao direito de recompensa previsto no Código Civil, bem como indenização por supostos abalos emocionais, exposição indevida e tratamento ríspido atribuído ao banco. Decisões recentes dispensaram a oitiva de testemunhas, indicando que o processo pode ser julgado antecipadamente.
Pai de quatro filhos e avô de 14 netos, Antônio relata que vive de forma simples e considera ter agido conforme sua consciência, mas conta ter sido chamado de “besta” por não usufruir do dinheiro. Segundo ele, até funcionários do banco sugeriram que o uso de parte da quantia não traria consequências imediatas.
O motorista também diz que teve a tarifa da conta elevada de R$ 36 para R$ 70 ao ser transferido automaticamente para a categoria VIP após o crédito milionário, mudança que, segundo relata, aconteceu sem autorização. Ele afirma sentir frustração por não ter recebido reconhecimento da instituição e relata pressão psicológica e cobranças indevidas.
Procurado pelo g1, o Banco Bradesco não enviou posicionamento até a última atualização da reportagem.
Com informações de G1
