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Polícia investiga possível vazamento após empresária sair de casa minutos antes de operação sobre UPAs de Palmas

A Polícia Civil do Tocantins apura se houve vazamento de informações sigilosas depois que a empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva deixou sua residência 14 minutos antes da chegada dos agentes responsáveis por cumprir mandado de prisão. O delegado Romeu Fernandes informou que, por volta das 5h47, a suspeita, apontada como lobista no contrato de terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Palmas, saiu de casa, embora não tivesse o hábito de sair tão cedo.

A investigação examina possíveis fraudes no processo de contratação, indícios de desvio de recursos públicos e atuação conjunta de agentes públicos e particulares para viabilizar acordo firmado, sem licitação, entre a Prefeitura de Palmas e a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba. O contrato prevê repasse de R$ 139 milhões por 12 meses.

Nesta terça-feira (23), o Tribunal de Contas do Estado do Tocantins determinou cautelarmente a suspensão do contrato. Apesar disso, o acordo ainda permanece em vigor.

Cláudia Fernanda ficou uma semana foragida e foi presa posteriormente. Com o encerramento do inquérito, ela foi indiciada por corrupção ativa, peculato-desvio, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Ao todo, dez pessoas foram indiciadas, incluindo a ex-secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski, e o ex-superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, ambos ainda detidos.

Segundo a Polícia Civil, os demais servidores integrantes da comissão técnica responderão por peculato culposo, pois assinaram documentos sem participar diretamente de sua elaboração. Profissionais ligados à Santa Casa foram intimados, mas se recusaram a prestar depoimento.

O inquérito também aponta tentativas de dificultar o trabalho policial, como ocultação de aparelhos celulares, desaparecimento de provas e elementos que sugerem vazamento de dados da operação.

A defesa de Cláudia Fernanda alega que o relatório não corresponde aos fatos e requer sua libertação imediata, além de apontar supostas falhas na investigação. Os advogados de Andreis Vicente da Costa aguardam decisão judicial sobre pedido de liberdade e acesso a documentos sob sigilo, alegando que ele foi indiciado sem ser ouvido. A defesa de Dhieine Caminski não se manifestou; em pronunciamentos anteriores, negou irregularidades.

A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba declarou estar à disposição das autoridades e afirmou não ter conduzido o processo administrativo da Prefeitura, limitando-se a apresentar documentos que comprovam sua capacidade técnica e de atendimento. A gestão municipal informou que colabora com as apurações e que o atendimento nas UPAs segue normalmente.

Concluído, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, que avaliarão as medidas cabíveis. A Polícia Civil prossegue nos levantamentos financeiros do contrato, na verificação das contas dos recursos já aplicados e na identificação de outros possíveis envolvidos.

Com informações de G1

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