O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a abertura de um edital para a compra de um supercomputador estimado em R$ 1 bilhão, iniciativa prevista no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) que tem a meta de impulsionar o desenvolvimento da tecnologia no país.
Nesta quinta-feira (20/8), o chefe do Executivo visitou o Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba (RN), local escolhido para receber a infraestrutura. O início das operações do equipamento está programado para o final de 2027.
O supercomputador poderá ser utilizado por empresas, universidades, instituições científicas e órgãos governamentais em treinamentos de modelos, pesquisas e desenvolvimento de soluções em inteligência artificial. O objetivo central é reduzir a dependência externa nesse campo e assegurar maior autonomia tecnológica ao Brasil.
Junto à aquisição, o governo anunciou outras quatro medidas voltadas à soberania digital. Uma delas prevê parceria com empresas chinesas para desenvolver modelos de IA em língua portuguesa, realizar transferência de tecnologia e promover a formação de profissionais no setor.
Esse projeto receberá investimento de R$ 1,2 bilhão ao longo de cinco anos, com início de operações em julho de 2027, no Rio de Janeiro. O acordo será firmado com a Huawei e a iFlytek e contempla a capacitação de 3 mil brasileiros.
Os recursos para as duas iniciativas virão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Outra medida divulgada foi a criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável, que ficará na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O espaço terá foco em pesquisas sobre segurança, auditabilidade, avaliação de riscos e identificação de falhas em sistemas de IA, além de apoiar a formulação de políticas públicas. O investimento previsto é de R$ 50 milhões em dois anos.
Também foi assinado um acordo de cooperação técnica entre o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Serpro para estruturar um serviço de nuvem brasileiro, visando ampliar a capacidade de armazenamento e processamento de dados e reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras.
O pacote inclui ainda o lançamento de uma estratégia de longo prazo para ampliar a capacidade nacional de desenvolver chips com arquitetura aberta.
As iniciativas integram a estratégia do governo para fortalecer a soberania em inteligência artificial e outras tecnologias. Na semana anterior, Lula reuniu ministros e pesquisadores no Palácio do Planalto para tratar do tema, que também consta no programa de governo entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento defende o fomento ao ecossistema nacional de tecnologia digital, da cadeia de datacenters aos serviços de nuvem, com ênfase em soluções de IA desenvolvidas por empresas brasileiras. O presidente também manifestou recentemente a intenção de recriar o programa Ciência sem Fronteiras, direcionado às áreas de engenharia, matemática e IA.
Com informações de Metrópoles
