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Flávio Bolsonaro vincula proposta de segurança pública ao modelo de Bukele e promete medidas mais rígidas

A equipe do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, colocou o endurecimento no combate ao crime no centro da campanha e adotou o modelo de segurança implantado em El Salvador, sob o presidente Nayib Bukele, como principal referência. A estratégia prevê a construção de novos presídios, o aumento das penas e a redução de benefícios a integrantes de facções criminosas.

O tema ganha força num cenário em que a segurança pública aparece como a maior preocupação do eleitorado. Levantamento Quaest divulgado em 14 de agosto indicou que 33% dos entrevistados consideram a violência o principal problema do país; economia, saúde e corrupção foram mencionadas por 15%, 14% e 14%, respectivamente.

Durante transmissão ao vivo na quinta-feira (20), o senador afirmou que pretende “devolver as ruas” à população e declarou que, na sua avaliação, “o bandido domina a rua e até o governo”. Já em Nova Iguaçu, na sexta-feira (21), ele conclamou organizações criminosas a deixarem o país “até o final do ano”, alegando que o atual presidente “passa a mão na cabeça” desses grupos.

Entre as propostas, Flávio Bolsonaro pretende classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas, ampliar o sistema prisional e estender o tempo de cumprimento de pena. Em Nova Iguaçu, anunciou intenção de fixar pena mínima de oito anos para ladrões e receptadores de celulares, declarando que esses condenados teriam de trabalhar para custear a própria estadia no cárcere.

A campanha também incorporou a redução da maioridade penal à plataforma. Pesquisa Real Time Big Data, divulgada em maio, apontou que 90% dos brasileiros apoiam a responsabilização criminal a partir dos 16 anos; 8% se declararam contrários e 2% não souberam opinar. Entre eleitores de Lula, 81% aprovam a medida, enquanto o índice chega a 96% entre simpatizantes de Flávio. Assessores avaliam que o tema pode expor divergências do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que historicamente se opõe à mudança.

No Congresso, o PL articula a votação de uma Proposta de Emenda à Constituição que reduz a idade de responsabilização. Comissão especial foi instalada em 12 de agosto, mas o relator, Mendonça Filho (PL-PE), informou que a análise deverá ocorrer apenas após as eleições, para evitar acusações de politização.

A agenda de segurança do senador também sugere restringir a progressão de regime para crimes hediondos, retomar a discussão sobre castração química para agressores sexuais e utilizar tecnologia para acionar automaticamente a polícia em casos de violência contra mulheres.

Especialistas consultados pela reportagem apontam desafios à adoção de um “padrão Bukele” no Brasil. Em El Salvador, aproximadamente 84 mil pessoas foram presas sob regime de exceção, e organizações como Anistia Internacional e Comissão Interamericana de Direitos Humanos registraram denúncias de detenções arbitrárias, tortura e mortes sob custódia. O Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), inaugurado em 2023, comporta até 40 mil internos, mas a política é criticada pelo impacto sobre garantias constitucionais. Além disso, dados oficiais salvadorenhos mostram que o número de domicílios em pobreza extrema quase dobrou entre 2019 e 2022.

O advogado criminalista e professor Gabriel Cardoso Cândido defende que o eleitor avalie a capacidade de transformar promessas em ações concretas, considerando viabilidade, competências, recursos e órgãos envolvidos. Segundo ele, prometer redução da violência difere de apresentar um plano detalhado de execução.

Metodologia das pesquisas: o levantamento Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de agosto de 2026, margem de erro de dois pontos percentuais, contratado pela Rede Globo e registrado no TSE sob o número BR-06773/2026. A pesquisa Real Time Big Data entrevistou 2.000 pessoas de 2 a 4 de maio, com margem semelhante e registro TSE BR-03627/2026.

Com informações de Gazeta do Povo

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