A Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal para apurar fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), permanece paralisada por déficit de pessoal e alterações na chefia do inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2026.
Em ofício encaminhado ao STF, a corporação informou contar com apenas dez servidores destinados ao caso, número considerado insuficiente diante da estimativa mínima de quarenta policiais. O quantitativo reduzido permitiu a análise de apenas metade do material recolhido a partir de 2025, levando a PF a solicitar prorrogação de prazo para concluir perícias e exames de sigilos bancário e telemático dos investigados.
Os principais alvos da investigação são Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e Antônio Camilo Antunes, apelidado de Careca do INSS. A apuração busca esclarecer a participação de ambos em um esquema de descontos irregulares aplicados a benefícios de aposentados e pensionistas. A defesa de Lulinha nega relação comercial ou conhecimento das irregularidades.
Em abril de 2026, a saída do delegado que havia pedido a quebra de sigilo bancário de Lulinha gerou questionamentos sobre possível interferência política. O governo federal e a própria Polícia Federal classificaram a remoção como medida administrativa, enquanto críticos e setores do Judiciário manifestaram preocupação com a coincidência entre avanços investigativos e mudanças na equipe.
Na mesma época, o Executivo determinou o retorno de policiais federais cedidos a outros órgãos para reforçar ações contra o crime organizado. A decisão, porém, manteve os agentes lotados em gabinetes de ministros do STF, entre eles o do relator André Mendonça, garantindo suporte técnico imediato ao magistrado apesar da redução de efetivo em outras frentes.
Além da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal conduz a Operação Compliance Zero, que apura fraudes relacionadas ao Banco Master e alcançou o ex-líder do governo Jaques Wagner. Também sob relatoria de Mendonça, essa investigação, somada ao caso do INSS, intensificou o escrutínio público sobre a autonomia e a capacidade operacional da corporação.
Com informações de Gazeta do Povo
