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Defesa de Lulinha afirma que grupo bolsonarista na PF tenta influenciar eleições por meio de inquérito

O advogado Marco Aurélio de Carvalho declarou nesta quinta-feira, 20 de agosto de 2026, que parte da Polícia Federal, identificada por ele como bolsonarista, estaria utilizando investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para tentar “ganhar a eleição no tapetão”. A afirmação foi feita em entrevista à GloboNews.

De acordo com o defensor, as apurações teriam o objetivo de atingir a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Carvalho disse enxergar um “quebra-cabeça de ilações” conduzido por agentes que, segundo ele, agem motivados por ódio e intolerância.

O posicionamento foi apresentado após a Procuradoria-Geral da República solicitar ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que um dos inquéritos envolvendo Lulinha seja remetido à primeira instância, sob o argumento de que não há autoridade com foro privilegiado no processo.

Carvalho alegou que existiria dentro da corporação um grupo de delegados e agentes alinhados ao bolsonarismo que conduziria as investigações com conclusões previamente definidas. Ele afirmou que tais servidores “atiram a flecha para depois pintar o alvo” e que pretendem condenar sem provas ou indícios.

O advogado sustentou que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, seria vítima desse cenário e criticou vazamentos que classificou como clandestinos e criminosos. Ele afirmou querer a identificação dos responsáveis para que sejam desligados do serviço público, por entender que prejudicam o andamento das apurações.

Lulinha é alvo de três inquéritos no STF, entre eles um que investiga suspeitas de atuação junto ao governo federal para viabilizar a comercialização de medicamentos à base de canabidiol.

Carvalho declarou que o procedimento não existiria se Fábio Luís fosse filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, casos semelhantes teriam sido arquivados durante o governo anterior, e Bolsonaro teria trocado superintendentes da PF para proteger familiares e aliados.

O defensor afirmou manter respeito pelos ministros André Mendonça e Flávio Dino, que relatam os inquéritos, e pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, mas disse considerar que eles também sofrem os efeitos do que chamou de aparelhamento das instituições.

Ele relatou ter levado essas preocupações a Mendonça em audiência pública e disse que, no início do ano, disponibilizou à Justiça os sigilos bancário e fiscal de Lulinha em busca de transparência.

O episódio ocorre em meio a histórico de investigação sobre suposta interferência de Jair Bolsonaro na PF. Em 2020, o então ministro Sergio Moro deixou o governo alegando pressão para obter informações de inquéritos envolvendo parentes e aliados do ex-mandatário. O caso foi arquivado pela PGR em 2022, reaberto em outubro de 2025 por decisão do ministro Alexandre de Moraes e, em abril deste ano, recebeu novo relatório da PF que novamente apontou ausência de interferência.

Com informações de Gazeta do Povo

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