A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) calcula que 36,5% das vendas externas do agronegócio brasileiro aos Estados Unidos serão submetidas à tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo norte-americano. Mesmo com a ampliação da lista de exceções, a entidade avalia que o encargo incidirá sobre parcela relevante dos embarques.
Segundo a CNA, aproximadamente 63,5% dos produtos do setor ficam de fora da medida, o que reduz, mas não elimina, as preocupações em relação ao mercado norte-americano. A confederação alerta que a nova alíquota pode reduzir a competitividade dos itens brasileiros, favorecendo fornecedores estrangeiros que não enfrentarão a mesma sobretaxa.
A entidade também menciona possíveis efeitos indiretos, como o redirecionamento de fluxos comerciais e a pressão sobre cotações internacionais, fatores que podem atingir produtores brasileiros mesmo em segmentos não diretamente tarifados.
A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, afirma que a confederação defende a retirada dos produtos do agronegócio brasileiro da lista e ressalta a importância estratégica do comércio bilateral. Ela argumenta que o desempenho do setor resulta de ganhos de produtividade, inovação e investimentos ao longo de décadas, e não de práticas desleais.
A decisão norte-americana foi divulgada na noite de 15 de julho, após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais do Brasil. O governo brasileiro tentou negociar a suspensão da medida, mas não obteve êxito.
Os EUA publicaram uma relação de itens essenciais para a cadeia de consumo interna que permanecerão isentos, como café, carne bovina, pescado, terras-raras e laranja. A cobrança passará a valer em 22 de julho.
Entre os produtos sujeitos à nova tarifa estão máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, ferramentas de jardinagem, componentes de borracha para veículos, calçados, vestuário, papel, etanol, açúcar orgânico, molduras de madeira, celulose de dissolução de alta pureza e certas substâncias químicas, estas últimas apenas isentas quando destinadas a aplicações farmacêuticas.
Com informações de Metrópoles
