A Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA) está empregando o modelo de inteligência artificial Mythos, criado pela Anthropic, para inspecionar repositórios de código do governo em busca de vulnerabilidades. A iniciativa foi relatada nesta segunda-feira (6) à Reuters por três fontes com conhecimento do projeto.
De acordo com as fontes, o Mythos analisa o código a fim de localizar brechas que poderiam ser exploradas por espiões estrangeiros ou por criminosos cibernéticos. Uma delas afirmou que o trabalho está sob responsabilidade da equipe Attack Surface Evaluation, unidade da CISA focada em avaliações de segurança digital e em testes de invasão em órgãos federais.
Duas das pessoas ouvidas disseram que as auditorias já apontaram um grande número de vulnerabilidades, mas não detalharam a quantidade, a natureza nem a gravidade dos problemas. A Reuters não conseguiu confirmar quanto código-fonte foi examinado até o momento.
O uso do Mythos pela CISA ocorre após episódios de tensão entre a Anthropic e o governo norte-americano. Sediada em San Francisco, a empresa apresentou confidencialmente um pedido de abertura de capital e, em fevereiro, recusou-se a retirar mecanismos de proteção que impediam a aplicação de sua IA em armas autônomas ou em sistemas de vigilância doméstica. Em resposta, o Departamento de Defesa classificou a companhia como um risco à cadeia de suprimentos, designação antes atribuída apenas a empresas estrangeiras suspeitas de espionagem. A medida foi suspensa por decisão judicial em março.
O conflito arrefeceu após o lançamento privado do Mythos, descrito como altamente capaz de detectar e explorar brechas cibernéticas. Outras agências federais também adotaram o modelo. Segundo o Axios, a Agência de Segurança Nacional (NSA) utiliza o Mythos desde pelo menos abril, mesmo durante o período em que a classificação de risco ainda estava em vigor. No fim do mês passado, o The New York Times informou que analistas da NSA testaram a tecnologia em ambientes classificados e ficaram impressionados com os resultados.
Posteriormente, a Anthropic disponibilizou ao público uma versão chamada Fable, que incluiu proteções adicionais voltadas à segurança cibernética. Após o lançamento, a Casa Branca exigiu que a empresa impedisse o acesso de usuários estrangeiros ao modelo, o que levou à suspensão global da ferramenta; a restrição foi retirada na semana passada.
A Reuters informou que procurou a Anthropic, mas não obteve resposta. Um representante da CISA declarou no mês passado que verificaria a possibilidade de divulgar informações sobre o projeto, porém não retomou contato. A NSA preferiu não comentar.
Com informações de Olhar Digital
