Um levantamento apresentado pela Agência Espacial Europeia (ESA) mostra que a possibilidade de um fragmento de satélite cair sobre uma pessoa na Terra é estatisticamente maior do que a de um apostador acertar as seis dezenas da Mega-Sena. Segundo a análise, o risco coletivo de haver uma vítima causada por detrito espacial ao longo de dez anos é estimado em 1 para 10.000, enquanto a loteria brasileira apresenta probabilidade de 1 para 50.063.860.
O estudo aponta a existência de mais de 130 milhões de objetos com menos de um centímetro orbitando o planeta sem controle, além de aproximadamente 1 milhão de fragmentos entre 1 e 10 centímetros e mais de 35.000 peças acima de 10 centímetros. Esse material resulta de satélites desativados, estágios de foguetes e explosões de baterias antigas, compondo toneladas de metal que reentram anualmente na atmosfera.
A cronologia do problema remete ao lançamento do Sputnik, em 1957, marco inicial do acúmulo de lixo espacial. Em 2009, a colisão entre os satélites Iridium 33 e Kosmos 2251 gerou milhares de novos fragmentos, e a previsão para 2026 indica saturação orbital acelerada pelo aumento de mega-constelações de internet.
Embora a maioria dos detritos se desintegre na queda, peças maiores podem atravessar a camada de calor e atingir o solo com impacto potencialmente letal. Esse cenário reforça a necessidade de monitoramento contínuo para proteger populações e infraestruturas, além de evitar a Síndrome de Kessler, fenômeno em que colisões em cadeia multiplicam ainda mais os escombros em órbita.
Para reduzir o problema, agências espaciais adotam diretrizes que determinam a retirada de satélites da órbita útil em até 25 anos após o fim da missão. Também estão em testes métodos de remoção ativa, como redes de captura, arpões e lasers capazes de alterar trajetórias.
Em situações raras de queda de um fragmento metálico, especialistas recomendam não tocar no objeto, devido ao risco de contaminação por substâncias tóxicas, como hidrazina, ou por altas temperaturas residuais. A Convenção de Responsabilidade Espacial de 1972 estabelece que o país lançador arca financeiramente com danos em solo, motivo pelo qual a orientação é isolar a área e acionar imediatamente as autoridades competentes.
Com informações de Olhar Digital
