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Brasil e Turquia firmam memorando para cooperação em energia nuclear

A Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) e a Nuclear Industry Association of Türkiye (NIATR) assinaram um Memorando de Entendimento com vigência de três anos destinado ao desenvolvimento, implantação e uso civil da energia nuclear. O acordo estabelece aproximação das cadeias de suprimentos dos dois países, incentivo ao comércio bilateral e abertura de oportunidades para investimentos conjuntos, além da realização de eventos setoriais e da possibilidade de futuras joint ventures industriais e em medicina nuclear.

A governança do memorando ficará a cargo de um grupo de coordenação e de planos de ação que deverão transformar iniciativas de intercâmbio de conhecimento e comunicação institucional em resultados práticos para empresas brasileiras e turcas. O presidente da ABDAN, Celso Cunha, afirmou que a parceria conecta os mercados de Brasil e Turquia, cria canais diretos para novos negócios, fortalece a cadeia produtiva e estimula a troca de inovação, sendo considerada necessária para converter o potencial tecnológico nacional em oportunidades concretas para a indústria.

A assinatura ocorre em momento de expansão das ambições nucleares dos dois países. Em março de 2026, o Brasil aderiu à Declaração para Triplicar a Energia Nuclear até 2050, iniciativa lançada na COP28 que já reúne 38 nações e busca mobilizar governos, indústria e instituições financeiras para ampliar o uso da fonte. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o país domina etapas do ciclo do combustível nuclear, da mineração de urânio à fabricação de combustível, e o Plano Nacional de Energia 2055 elevou a previsão de adição da fonte para 14 GW, frente aos 8 GW a 10 GW estimados no PNE 2050. A ABDAN defende que essa expansão seja acompanhada por fortalecimento da indústria e da cadeia de fornecedores nacionais.

A Turquia também estabeleceu metas para alcançar 20 GW de capacidade nuclear até 2050, incluindo 5 GW em pequenos reatores modulares (SMRs). O principal projeto em andamento é a usina de Akkuyu, na província de Mersin, composta por quatro reatores VVER-1200 que totalizam cerca de 4,4 GW; o governo turco prevê a primeira geração de eletricidade da unidade 1 em 2026. Estão previstos ainda novos empreendimentos em Sinope e na região da Trácia, bem como estudos sobre tecnologias de SMRs, com foco em aumentar a participação da indústria doméstica, promover transferência de tecnologia e capacitar mão de obra especializada.

No Brasil, a expansão do setor cria oportunidades para empresas atuantes no ciclo de combustível, engenharia, equipamentos, serviços e tecnologia. As Indústrias Nucleares do Brasil (INB) informaram em maio que o cumprimento das metas exigirá aumento significativo da produção nacional de urânio e ampliação das etapas do ciclo de combustível.

A cooperação entre ABDAN e NIATR passa a funcionar como ponte para duas indústrias que buscam ampliar participação em um mercado nuclear internacional em crescimento. A assinatura integra uma série de missões internacionais lideradas pela ABDAN neste mês em fóruns europeus, com autoridades, especialistas e representantes de empresas e operadoras discutindo temas como pequenos reatores modulares, segurança energética, mineração e o papel da tecnologia nuclear na descarbonização. Em março, as duas associações participaram da mobilização global da indústria nuclear em prol da ampliação da capacidade mundial até 2050.

Com informações de Olhar Digital

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