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Banco Central prepara ações para frear avanço do endividamento das famílias

O Banco Central (BC) elabora um conjunto de medidas com o propósito de conter o crescimento do endividamento das famílias brasileiras e reduzir riscos ao sistema financeiro. O alerta sobre a necessidade de intervenção foi registrado na ata do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) divulgada na semana passada e reiterado por integrantes da autoridade monetária.

A instituição informa que o aumento da participação de modalidades de crédito mais onerosas, como cartão de crédito rotativo e empréstimo pessoal sem garantia, exige a adoção de providências para fortalecer a sustentabilidade do crédito e a resiliência do sistema. Entre as ações em estudo está a elevação do Fator de Ponderação de Risco (FPR) aplicado a linhas consideradas de maior risco, o que elevará a exigência de capital próprio que bancos e fintechs precisam manter para operar nesses segmentos.

De acordo com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, as propostas pretendem impedir que instituições ampliem participação de forma artificial assumindo riscos elevados, sob a expectativa de que eventuais perdas não afetem seus balanços. Galípolo indica que o objetivo é garantir ambiente competitivo isonômico e coibir práticas que desrespeitem normas de governança e atendimento ao público.

O BC também avalia iniciativas para aumentar a transparência contratual e evitar uso inadequado do crédito, exigindo das instituições informações claras e orientação ao cliente sobre produtos compatíveis com seu perfil. O Comef ressalta que essas medidas têm como meta permitir reconhecimento tempestivo dos riscos, acúmulo gradual de capital e condições mais sustentáveis de oferta de crédito.

O diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, afirma ser necessário enfrentar o endividamento nas linhas mais caras, citando cartão de crédito e crédito consignado. Ele prevê que novas medidas relevantes para o sistema financeiro sejam anunciadas nos próximos meses.

Dados do BC indicam que o endividamento das famílias alcançou 49,8% em junho de 2026. No mesmo período, a parcela da renda comprometida atingiu 28,9%, após alta de 0,4 ponto percentual de maio para junho e de 1,7 ponto percentual em 12 meses.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, atribui parte dessa evolução ao nível da taxa básica de juros, hoje em 14% ao ano, que encarece o crédito, pressiona o orçamento doméstico e dificulta o acesso das empresas a financiamento. A autoridade monetária acrescenta que juros elevados tendem a aumentar os custos para famílias e empresas com dívidas atreladas a taxas variáveis ou prazos curtos.

A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) decide elevar os juros, a tendência é reduzir consumo e investimentos, tornando o crédito mais caro e desacelerando a atividade econômica, o que pode contribuir para queda de preços. Um dos efeitos colaterais, contudo, é o aumento do endividamento de consumidores que encontram dificuldade para quitar seus compromissos financeiros.

Com informações de Metrópoles

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