Durante painel realizado na quinta-feira (27) na Money Week 2026, em Balneário Camboriú, o comentarista político Caio Coppolla, o estrategista eleitoral Roberto Reis e o chefe da Eurasia Group no Brasil, Silvio Cascione, afirmaram que um eleitorado apático, cansado da polarização e sem ligações fixas com direita ou esquerda tende a definir o resultado das urnas em outubro de 2026.
Os participantes avaliaram que, neste pleito, a decisão do voto dependerá mais da percepção sobre preços, crédito e renda do que de convicções ideológicas, cenário que consideram mais equilibrado que o de 2022.
Cascione classificou a disputa como “um pouco estranha”, devido ao cansaço do eleitor, e avaliou que o país só reverterá esse quadro com maior engajamento cívico. Reis observou que o interesse dos brasileiros por política cresceu com as redes sociais, enquanto Coppolla mencionou que a agressividade da polarização afasta parte da população do processo eleitoral.
Na análise de Coppolla, o voto costuma seguir cálculos econômicos de curto e médio prazo; ele lembrou que, em 2006, Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito durante um período de bom desempenho econômico e avaliou que, atualmente, o custo de vida é o principal obstáculo à continuidade do governo. Cascione acrescentou que o futuro presidente enfrentará endividamento público considerado insustentável e juros elevados, além de riscos ligados ao crime organizado e à erosão institucional.
Sobre a disputa de 2026, Cascione disse que as prioridades do eleitor apontam para desejo de mudança, mas ressaltou que a máquina de governo pode favorecer o presidente candidato à reeleição.
Os debatedores comentaram ainda o impacto das redes sociais. Coppolla citou que, pela primeira vez, mais eleitores se informam por plataformas digitais do que pela televisão e afirmou que a Geração Z mostra maior inclinação à direita. Reis concordou que o momento favorece a oposição, mas alertou que parte do eleitorado contrário à continuidade ainda não escolheu candidato; segundo ele, a esquerda mantém vantagem estrutural de comunicação.
Ao discutir o sistema político, Coppolla declarou que a obrigatoriedade de filiação partidária e o financiamento público de campanhas sustentam a permanência de grupos tradicionais no poder, sugerindo candidaturas independentes ao menos em nível municipal. Reis ponderou que o “voto fisiológico” também é um problema estrutural, afirmando que melhorias dependem do comportamento do próprio eleitor.
O CEO da EQI Investimentos, Juliano Custódio, apresentou pesquisa segundo a qual economia aparece apenas como quinto tema de interesse do eleitor, embora segurança, saúde e educação tenham, em sua avaliação, forte componente econômico. Ele afirmou que a inclusão de política na programação da Money Week reflete o maior interesse do público por assuntos que influenciam o mercado financeiro.
A discussão integrou o painel “Eleições 2026: o que precisamos fazer diferente desta vez?”, no primeiro dia do evento que ocorre até 31 de agosto em Balneário Camboriú.
Com informações de Gazeta do Povo
