O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou em 31 de agosto de 2026 a suspensão da campanha digital, o congelamento dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e a proibição de participação em debates do candidato à Presidência da República Wilson Grassi Júnior, do Democrata.
A decisão cautelar, semelhante à imposta anteriormente ao postulante Renan Santos, do Missão, foi motivada pela omissão de perfis oficiais utilizados para propaganda na internet no Requerimento de Registro de Candidatura (RRC). Consta nos autos que a chapa apresentou o pedido de registro em 11 de agosto, mas só comunicou a existência de oito perfis digitais em 28 de agosto, 17 dias depois do protocolo e duas semanas após o início oficial da campanha.
Segundo o relator, pelo menos uma das contas mantinha publicações de campanha para mais de 150 mil seguidores. Toffoli afirmou que a comunicação prévia dos canais digitais visa assegurar igualdade entre os concorrentes e declarou que o candidato já tinha conhecimento da obrigação de informar os endereços e de só utilizá-los 48 horas após o registro pelo TSE, mas descumpriu essa regra, obtendo benefícios considerados irreversíveis.
Até que cada perfil seja esclarecido e eventuais justificativas para a omissão sejam analisadas, o uso de todas as contas listadas fora do prazo, bem como de quaisquer outras, fica proibido para fins de propaganda eleitoral na internet.
O ministro ordenou o bloqueio imediato de R$ 3,3 milhões destinados à chapa presidencial do Democrata, vetou novos repasses do FEFC e proibiu gastos do montante já recebido. Também impediu a presença de Grassi em debates promovidos por veículos de comunicação.
Às plataformas digitais, foi fixado prazo de seis horas para suspender as contas e desativar sistemas de recomendação de conteúdo, sob pena de multa de R$ 10 mil por perfil a cada hora de descumprimento. As empresas deverão entregar, em até 24 horas, relatórios de métricas, impulsionamentos e alcance obtidos a partir de 7 de agosto.
A defesa do candidato e o diretório nacional do Democrata foram intimados a cumprir as ordens imediatamente e têm 24 horas para apresentar justificativas, sob risco de indeferimento definitivo do registro de candidatura.
Veterinário, empresário e músico, Wilson Grassi declarou patrimônio de R$ 50 milhões ao registrar sua candidatura. Em 2022, ele disputou uma vaga de deputado federal por São Paulo pelo PV. Sua vice é a empresária Suêd Haidar, presidente e fundadora do Democrata. A reportagem da Gazeta do Povo buscou contato com o candidato, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Com informações de Gazeta do Povo
