A Agência Nacional do Cinema (Ancine) emitiu em 7 de agosto o Registro de Obra Estrangeira (ROE) para o longa-metragem Dark Horse, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A autorização se torna pública nesta semana, no mesmo momento em que a obra permanece sob investigação por eventuais irregularidades nas filmagens em território brasileiro e na captação de recursos.
A Go Up Entertainment, produtora responsável, responde a processo administrativo na Ancine após denúncia de que cenas teriam sido gravadas no Brasil sem comunicação prévia ao órgão regulador, exigência prevista para produções estrangeiras. Se confirmada a infração, a empresa pode receber multa entre R$ 2 mil e R$ 100 mil. Na semana passada, a Polícia Federal solicitou à agência dados sobre esse procedimento.
Com 1h40 de duração e protagonizado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, o filme ainda precisa cumprir outras etapas antes do lançamento. Entre as fases pendentes estão a solicitação do Certificado de Registro de Título (CRT), a comprovação dos direitos de exploração comercial no país, o atendimento de eventuais exigências regulatórias e a obtenção da classificação indicativa do Ministério da Justiça. Quando não há pendências, o prazo para conclusão dos trâmites é de até 30 dias.
Em outra frente, o financiamento de Dark Horse é apurado pelo Supremo Tribunal Federal desde julho. O foco recai sobre repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, após divulgação de mensagens que indicam cobrança de valores pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um contrato de R$ 134 milhões.
A empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, também é investigada pela Polícia Civil de São Paulo por suspeitas de fraudes, superfaturamento e desvios em contrato do Instituto Conhecer Brasil (ICB) com a prefeitura paulistana. O ministro da Justiça, Flávio Dino, autorizou a Polícia Federal a acessar as informações desse inquérito para averiguar possível ligação com o filme.
A apuração inclui ainda a destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à empresária. Em 2024, o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor-executivo de Dark Horse, encaminhou R$ 2 milhões ao ICB. Frias declara que o montante não foi usado na produção, enquanto Karina Ferreira da Gama nega a utilização de recursos públicos ou de empresas brasileiras no projeto cinematográfico.
Com informações de Gazeta do Povo
