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Lula vincula Margem Equatorial à Petrobras e Flávio Bolsonaro busca ampliar participação privada no petróleo

O petróleo assumiu posição de destaque na disputa presidencial de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vincula as novas áreas exploratórias à ação direta da Petrobras, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) intensifica contatos com companhias privadas e convoca especialistas do mercado para formular seu programa de governo.

A movimentação do candidato do PL ganhou visibilidade após encontro recente com executivos de grandes empresas de petróleo e energia. Na reunião, empresários manifestaram interesse em dialogar sobre possíveis diretrizes de uma futura gestão de Flávio e em discutir caminhos para a política energética nacional.

Paralelamente, a equipe de campanha liberaliza sua composição. O ex-ministro Adolfo Sachsida integra o núcleo econômico, e os consultores Adriano Pires e Alexandre Chequer assumem a elaboração das propostas de energia e infraestrutura. Pires fundou o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE); Chequer participou da redação da Lei do Petróleo, da criação da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e de ações relativas à Eletrobras. Sachsida comandou o Ministério de Minas e Energia no governo Jair Bolsonaro.

O grupo sinaliza prioridade a investimentos privados, competição e segurança regulatória, contrapondo-se ao modelo em que o Estado figura como principal agente econômico. As ideias retomam conceitos defendidos por Paulo Guedes. Em 2019, depois de leilões com baixa concorrência, o então ministro da Economia sugeriu mudanças no regime de partilha do pré-sal, afirmando que o formato limitava a disputa e criava situações em que o Estado negociava com ele próprio.

Guedes argumentava que a transformação rápida das reservas em riqueza era essencial diante da transição energética. A avaliação volta ao centro do debate com a Margem Equatorial, área considerada necessária para recompor estoques, pois a Petrobras projeta o pico de produção do pré-sal em 2034.

Flávio Bolsonaro levou parte da discussão ao campo das promessas eleitorais e declarou que, caso eleito, extinguirá a alíquota de 12% cobrada sobre a exportação de petróleo bruto, adotada pela gestão atual. Para ele, a tributação desestimula produção e investimentos em momento que o país deveria expandi-los.

Lula, por sua vez, coloca a Margem Equatorial no centro de sua campanha. Na segunda-feira (17), o presidente visitou um navio-sonda da Petrobras na costa do Amapá e qualificou a descoberta no poço Morpho como um “novo passaporte” para o futuro, associando a fronteira ao progresso, à soberania e à proteção ambiental. Lula estava acompanhado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no primeiro evento público de ambos após três meses de afastamento. O senador agradeceu o empenho do governo para viabilizar a exploração, e o presidente elogiou o andamento de pautas de interesse do Executivo no Congresso.

A convergência favorece os dois lados. Lula relaciona sua gestão a uma nova promessa de riqueza e fortalece a candidatura à reeleição do governador do Amapá, Clécio Luís (União). Alcolumbre associa o grupo político local às expectativas de investimentos, empregos e desenvolvimento decorrentes da atividade petrolífera.

A divergência entre os presidenciáveis recai menos sobre a conveniência de explorar o recurso e mais sobre a forma de execução. Lula mantém a Petrobras no núcleo da estratégia de desenvolvimento, enquanto Flávio defende maior participação privada, marcos regulatórios previsíveis e liberdade de concorrência.

Para as empresas do setor, questões imediatas envolvem política tributária e regras de concessão e partilha. A aproximação com Flávio indica que o segmento avalia cenários eleitorais e busca contribuir para diretrizes que orientarão investimentos bilionários na próxima década.

Com a proximidade do pico da produção do pré-sal, Lula e Flávio enfrentam o mesmo desafio: transformar rapidamente as reservas nacionais em ativos antes do eventual declínio da demanda global por combustíveis fósseis.

Com informações de Gazeta do Povo

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