O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto, intensificou a ênfase em temas religiosos na comunicação de campanha e escolheu a Marcha para Jesus, em São Paulo, como vitrine principal desse movimento. O evento, realizado nesta quinta-feira (5), reúne o presidenciável, o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), no mesmo carro de som em que também está o advogado-geral da União, Jorge Messias, cuja indicação ao Supremo Tribunal Federal foi rejeitada pelo Senado.
Desde o início de junho, a equipe do PL adicionou referências bíblicas, menções a fé e expressões como “batalha espiritual” às peças publicitárias do senador. A estratégia busca preservar a lealdade do eleitorado evangélico, considerado decisivo em um eventual confronto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas de 2026.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram Flávio em cultos e encontros com lideranças religiosas. Nessas gravações, ele associa sua trajetória política a conceitos de missão e propósito, afirma que a força para enfrentar adversidades vem da fé e compara sua caminhada ao “manto de Elias”, referência à sucessão do ex-presidente Jair Bolsonaro no campo conservador. O material também inclui críticas a Lula, a quem ele contrapõe como alinhado ao “diabo”, enquanto se declara ao lado de Deus.
O teólogo Dione Caruzo, estudioso da relação entre religião e política há mais de 30 anos, avalia que a reafirmação de valores espirituais serve para manter coesa a base conservadora e evitar dispersão de apoiadores. Para o pesquisador, parte das lideranças evangélicas já reconhece o senador como herdeiro político de Jair Bolsonaro, percepção que só mudaria caso ocorresse alteração no discurso ou perda de apoio entre pastores influentes.
A Marcha para Jesus, organizada pela Igreja Renascer em Cristo desde 1993, é apontada como um dos maiores palcos de visibilidade política junto ao segmento evangélico. A presença de Jorge Messias, presbítero batista e principal interlocutor do governo federal com igrejas, integra o esforço do Planalto para reduzir a rejeição a Lula. Em 2023, o ministro foi vaiado ao citar o presidente no mesmo evento, mas mantém participação pela quarta vez consecutiva.
Levantamento Meio/Ideia divulgado no fim de maio indica que Flávio tem 66,6% das intenções de voto entre evangélicos num possível segundo turno contra Lula, que registra 22,9%. O estudo mostra ainda que 74,1% desse público consideram que o petista não merece novo mandato, enquanto a avaliação positiva do atual governo atinge 23,3% e a negativa soma 48,3%. A pesquisa entrevistou 1.500 eleitores por telefone entre 23 e 27 de maio de 2026, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, registrada no TSE sob o número BR-02918/2026.
Com informações de Gazeta do Povo
