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Lula afirma que Petrobras deve priorizar equipamentos nacionais mesmo com custo superior

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quarta-feira (27) em Manaus que a Petrobras precisa adquirir equipamentos fabricados no Brasil, ainda que esses itens custem mais do que similares importados. A manifestação ocorreu durante o anúncio de um pacote de investimentos de R$ 2,8 bilhões da estatal na região amazônica até 2030, destinado à ampliação da produção de gás natural e à construção de 18 barcaças para transporte de combustíveis por meio da Transpetro.

Lula disse que o país dispõe de conhecimento técnico para produzir esses equipamentos e argumentou que não haveria justificativa para comprar na China, na Coreia do Sul ou em Cingapura quando a fabricação pode ser realizada em território nacional. Ele associou a iniciativa a conceitos de soberania e respeito à pátria, posicionamento que tem sido recorrente em suas falas e que, segundo ele, será destacado na campanha eleitoral deste ano.

O presidente relacionou essa defesa da produção interna a medidas tomadas pelo governo dos Estados Unidos no ano anterior, quando Donald Trump estabeleceu uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e impôs sanções a autoridades do país, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em função do processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após as eleições de 2022. Lula mencionou que Trump não deveria interferir nas tratativas entre Petrobras e México para exploração de petróleo em águas profundas.

No mesmo evento, Lula criticou setores da elite nacional que, segundo ele, historicamente preferiram importar petróleo dos Estados Unidos em vez de investir em uma petroleira brasileira, lembrando a criação da Petrobras em 1953 durante o governo Getúlio Vargas. Ele também questionou a venda da Liquigás em 2020, bem como as privatizações da BR Distribuidora e da Eletrobras realizadas no governo Bolsonaro, ao afirmar que essas operações não geraram benefícios significativos ao país.

Os investimentos anunciados preveem cerca de R$ 2,5 bilhões na retomada de perfurações no Polo Urucu, que não recebia novos poços havia dez anos. O plano inclui aproximadamente 40 quilômetros de linhas de conexão, com expectativa de acréscimo médio de 4,4 mil barris diários de óleo equivalente na produção. Atualmente, o polo é considerado a maior província petrolífera terrestre do Brasil, com produção aproximada de 105 mil barris de óleo equivalente por dia, e o gás natural local responde por cerca de 65% da energia elétrica consumida em Manaus e em outros cinco municípios do Amazonas.

As 18 barcaças de transporte de combustíveis serão construídas no Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia por R$ 303,5 milhões, devendo gerar em torno de 3,3 mil empregos diretos e indiretos no estado. Em complemento, a Transpetro contratou 18 empurradores para operações em portos como Rio de Janeiro, Santos, Belém, Paranaguá e Rio Grande. Os dois contratos somam R$ 628 milhões e integram o Programa Mar Aberto, que prevê a entrega de 96 embarcações até 2030.

Segundo a Petrobras, a companhia mantém aproximadamente 14 mil postos de trabalho diretos e indiretos no Amazonas e recolheu R$ 1,5 bilhão em tributos no estado ao longo de 2025.

Com informações de Gazeta do Povo

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