O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva destinou R$ 21 milhões a campanhas patrocinadas no Instagram e no Facebook entre janeiro e meados de maio de 2026, quase o dobro dos R$ 11,45 milhões aplicados no mesmo período do ano anterior. Os dados constam da biblioteca de anúncios da Meta e foram compilados pelo Estadão, que divulgou o levantamento neste sábado, 23.
As peças publicitárias se concentram em programas federais, obras e medidas de forte apelo popular, com prioridade para estados que concentram grandes eleitorados, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Parte da verba também foi direcionada a ações no Rio Grande do Sul, Ceará, Pernambuco e em cidades mineiras afetadas por enchentes.
O calendário do Tribunal Superior Eleitoral permite propaganda institucional do governo apenas até 4 de julho; depois dessa data, ficam liberados somente anúncios de produtos e serviços com concorrência no mercado, exceto em casos de urgência reconhecidos pela Justiça Eleitoral.
Embora o presidente critique as redes sociais por suposta disseminação de desinformação e discurso de ódio, na mesma semana em que assinou decretos que ampliam a responsabilização das plataformas, o Palácio do Planalto intensificou a presença nessas mídias. A oposição anunciou que tentará revogar os decretos no Congresso.
A distribuição dos R$ 21 milhões foi a seguinte: Entregas do governo, R$ 4,2 milhões (20,43%); Novo PAC, R$ 3,3 milhões (15,83%); isenção do Imposto de Renda, R$ 2,8 milhões (13,53%); proposta de fim da escala 6×1, R$ 2 milhões (9,98%); segurança pública, R$ 1,5 milhão (7,18%); mudanças na CNH, R$ 931 mil (4,43%); Gás do Povo, R$ 831 mil (3,98%); programa Pé-de-Meia, R$ 631 mil (3%); medidas para combustíveis, R$ 568 mil (2,7%); Reforma Casa Brasil, R$ 552 mil (8,83%); e outras iniciativas, R$ 3,4 milhões (16,39%).
Entre os principais investimentos, as campanhas que divulgam “entregas do governo” somaram R$ 4,2 milhões. O Novo PAC, vitrine do terceiro mandato presidencial, recebeu R$ 3,3 milhões, com foco em obras em Santa Catarina, Maranhão, Pará, São Paulo, Amazonas, Acre e Alagoas. A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil consumiu R$ 2,85 milhões.
A defesa do fim da escala 6×1, que propõe reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial e ainda tramita na Câmara dos Deputados, contou com R$ 2,1 milhões. Na área de segurança pública, R$ 1,5 milhão foi destinado a peças que destacam ações contra o crime organizado, exploração sexual de crianças e adolescentes e aumento de penas para delitos como furto, roubo e golpes.
Para divulgar mudanças na Carteira Nacional de Habilitação — como o término da exigência do curso teórico em autoescolas, a renovação automática e gratuita do documento e novas modalidades de aprendizagem — o governo investiu cerca de R$ 932 mil. O programa Desenrola, voltado à renegociação de dívidas, recebeu R$ 2,758 milhões, com mensagens que oferecem até 90% de desconto aos devedores.
Uma das campanhas mais caras, voltada a combustíveis e aos efeitos da guerra no Oriente Médio, consumiu R$ 5,7 milhões em anúncios que informam ações governamentais para conter reajustes nas bombas e que incentivam denúncias de aumentos considerados abusivos.
Em 2025, o Executivo federal havia encerrado o ano com R$ 39,1 milhões em publicidade nas plataformas da Meta, concentrada em temas como isenção do Imposto de Renda, segurança pública e defesa da soberania nacional.
Com informações de Gazeta do Povo
