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Flávio Bolsonaro direciona discurso a prefeitos para o Nordeste e intensifica críticas a Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, reforçou a tentativa de ampliar sua base eleitoral no Nordeste durante participação na 27ª Marcha dos Prefeitos, realizada em Brasília na terça-feira (19). O parlamentar escolheu a segurança pública como eixo central do pronunciamento de aproximadamente 30 minutos, no qual apontou a região como “solução” para o país, prometeu redução de impostos, maior autonomia municipal e voltou a criticar o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A fala foi recebida com aplausos de gestores ligados à oposição, mas também gerou vaias e gritos que faziam referência ao empresário Daniel Vorcaro e ao tema da “rachadinha” por parte de apoiadores do presidente da República. Mesmo após o discurso, o senador optou por não responder às perguntas previstas na programação do evento.

Horas antes, o pré-candidato admitiu ter visitado Vorcaro depois da primeira prisão do banqueiro, no fim de 2025. A confirmação ocorreu em reunião com parlamentares do PL convocada para esclarecer mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil. O material indica que Flávio Bolsonaro teria cobrado recursos de Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo as apurações, o empresário já teria destinado R$ 61 milhões, de um total supostamente contratado de R$ 134 milhões. A admissão representou recuo em relação à negativa inicial e gerou receio de novas revelações dentro do partido.

Mesmo com o desgaste, o PL mantém a estratégia de consolidar o nome do senador para enfrentar Lula na eleição de outubro. O cálculo inclui reduzir a vantagem historicamente obtida pelo petista no Nordeste. Durante o evento, Flávio Bolsonaro citou a Bahia como “um dos estados mais violentos do Brasil” e defendeu o fortalecimento das guardas municipais, o armamento das polícias locais e a ampliação do poder de atuação das corporações. Ele afirmou que é preciso olhar “com mais atenção e carinho” para a população baiana.

O senador apresentou tom de confronto ao crime organizado. Ele declarou que integrantes de facções como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) deveriam deixar o país até dezembro, porque, segundo ele, todos seriam presos ou neutralizados a partir do ano seguinte. Argumentou que criminosos só respeitam o que temem e voltou a atacar o governo federal pela condução da segurança pública.

Na área econômica, Flávio Bolsonaro prometeu atacar o endividamento das famílias. Criticou o programa Desenrola 2.0, afirmando que o total das dívidas dos brasileiros chegaria a R$ 700 bilhões, enquanto a iniciativa governamental ofertaria apenas R$ 4,5 bilhões, o que, na sua visão, não solucionaria o problema. O pré-candidato também falou em ajustar as contas públicas para reduzir juros e recuperar a segurança jurídica, indicando um corte de gastos que, segundo ele, faria a despesa “caber dentro do orçamento”.

Ao remeter-se ao governo do pai, Jair Bolsonaro, o senador recordou o lema “menos Brasília e mais Brasil” e destacou repasses federais a municípios durante a pandemia. Ele ainda se comprometeu a combater projetos aprovados no Congresso que criem custos adicionais para as prefeituras sem indicar fonte de financiamento.

Com informações de Gazeta do Povo

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