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Renan Calheiros e Gabriel Galípolo trocam acusações sobre intervenção no Banco Master durante sessão no Senado

Durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, realizada nesta terça-feira (19), o presidente do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), discutiu com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, a respeito da conduta da autarquia no processo envolvendo o Banco Master.

Renan Calheiros afirmou que, em abril de 2025, o BC enviou ofício ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) solicitando R$ 11 bilhões para evitar a quebra da instituição financeira, alegando risco de crise sistêmica. Segundo o parlamentar, o FGC teria recusado o valor integral e liberado R$ 5 bilhões a pedido do Banco Central.

Galípolo contestou categoricamente a versão do senador e declarou que a autarquia responde no Tribunal de Contas da União por, segundo ele, não ter autorizado o repasse citado. O dirigente acrescentou que servidores do BC foram expostos e caluniados em Brasília e mencionou tentativas de afastamento do presidente do Banco Central e de diretores.

O senador elevou o tom ao reafirmar a acusação de que o órgão atuou para salvar o Banco Master. Galípolo reagiu dizendo que, na visão dele, somente quem não possui acesso a TV a cabo ou internet acreditaria que o BC trabalhou para vender a instituição ao Banco de Brasília (BRB). Ele também agradeceu ao jornalismo profissional, argumentando que, sem a cobertura da imprensa, não permaneceria no cargo.

O presidente do Banco Central declarou ainda que a autarquia não tem autorização legal para comentar publicamente casos específicos de fiscalização. Na sequência, ambos abordaram proposição apresentada na Câmara dos Deputados que permitiria ao Legislativo exonerar presidente e diretores do BC, supostamente articulada pelo “Centrão”.

Renan Calheiros criticou o que considerou ausência de denúncia pública de Galípolo na época da tramitação da proposta, sugerindo que um posicionamento mais forte ajudaria a delimitar os limites da independência do Banco Central. O dirigente respondeu que se manifestou e defendeu que a autonomia da instituição se concretiza por meio de decisões técnicas, não por discursos midiáticos. Ele sustentou que o BC não deve ser usado como palanque e que a preocupação principal precisa ser a decisão correta, independentemente de pressões externas.

Questionado sobre a necessidade de reação à pressão política, Galípolo reiterou que o Banco Central não deve se deixar arrastar para esse tipo de debate justamente para preservar sua independência.

O presidente do BC também defendeu a atuação do FGC no episódio, classificando-a como correta e fundamental. Explicou que não houve solicitação de socorro pela autarquia, mas uma estratégia definida pelo próprio Fundo, que antecipou pagamento de garantias diante da possibilidade de liquidação do Banco Master enquanto o BC analisava cenários de venda parcial ou total da instituição.

Ao comparar o caso Master a crises anteriores, como a do Bamerindus, Galípolo avaliou que as instituições do passado eram sistemicamente maiores. Na situação atual, o desafio teria sido o destino dado aos recursos e os envolvidos na operação. Ele concluiu dizendo que o papel do Banco Central é tomar decisões técnicas sem ceder à pressão.

Com informações de Gazeta do Povo

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