O Partido dos Trabalhadores tornou público, na noite desta sexta-feira, 7 de agosto de 2026, o documento que orientará a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta, estruturada em 13 eixos, rejeita o que classifica como servilismo e alinhamento automático a grandes potências, estabelece diretrizes para enfrentar a crise comercial com os Estados Unidos e mantém o compromisso com o novo arcabouço fiscal.
Diante da possibilidade de sobretaxa de até 37,5% aplicada pelo governo Donald Trump, o texto direciona a política econômica à redução da vulnerabilidade externa. O partido declara que fará oposição a tentativas de subordinar o país a interesses alheios e critica posições que, segundo o documento, renunciam à soberania nacional.
No campo diplomático, o plano determina que o Brasil deve atuar sem subordinação estratégica, adota postura universalista e multilateral e define a integração sul-americana como prioridade. Também orienta maior aproximação com o Brics, o Sul Global, a África e o Sudeste Asiático, além de propor neoindustrialização e transição ecológica para fortalecer a base produtiva com foco em interesses internos.
A soberania digital aparece como meta, prevendo desenvolvimento de inteligência artificial e operação de infraestruturas críticas por instituições nacionais. O partido busca garantir que o ambiente virtual siga a legislação brasileira, proteja dados sensíveis e diminua a dependência tecnológica externa.
Para sustentar a política exterior independente, o documento prevê o fortalecimento da Base Industrial e Tecnológica de Defesa. O texto argumenta que a projeção internacional exige Forças Armadas equipadas e uma indústria de defesa capaz de proteger território e recursos naturais, gerar tecnologias sensíveis, empregos qualificados e ampliar exportações de maior valor agregado. Na última quarta-feira, 4 de agosto, o ministro da Defesa, José Múcio, comentou em tom de brincadeira que, diante de eventual invasão norte-americana, abriria o portão, citando falta de equipamentos e de recursos.
No âmbito fiscal, o PT reafirma a manutenção do novo arcabouço com a meta de reduzir juros, controlar a inflação e assegurar responsabilidade fiscal. O partido afirma que o resultado virá do crescimento econômico, do controle do gasto primário, da melhoria da eficiência do gasto público, da justiça tributária e do combate a privilégios. A projeção é de déficit primário próximo a 0,4% do PIB ao fim de 2026, aproximando-se do equilíbrio.
Em segurança pública, o plano confirma a intenção de recriar o Ministério da Segurança Pública, caso o Congresso aprove a PEC correspondente, e mantém a política de controle rigoroso de armas e munições. Estão previstas maior rastreabilidade, fiscalização de empresas do setor e registros de colecionadores, atiradores e caçadores, fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado, presença das Forças Armadas em fronteiras para conter desmatamento e garimpo ilegal, implementação do Plano Pena Justa, isolamento de lideranças criminosas em presídios federais, combate a fraudes bancárias, crimes de ódio, racismo e exploração sexual de vulneráveis no meio digital, além da expansão do programa Celular Seguro.
O texto também propõe valorização de profissionais de segurança, adoção de policiamento de proximidade para elevar a confiança da população nas instituições e ampliação do uso de câmeras corporais com padrões nacionais de gestão de imagens.
Com informações de Gazeta do Povo
