A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal ter identificado um pagamento de R$ 100 mil ao jornalista Luís Pablo, valor que, segundo o órgão, sustentaria a operação de busca e apreensão realizada nesta terça-feira (11) contra o ex-secretário do Maranhão Ricardo Cutrim e um advogado supostamente ligado ao comunicador.
A diligência foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a partir de inquérito que investiga a divulgação de informações sobre o ministro da Corte Flávio Dino. No relatório enviado ao tribunal, a PF relatou que o advogado investigado teria intermediado o repasse em benefício do jornalista. O valor, de acordo com os investigadores, foi depositado na conta de um terceiro e usado para quitar parte da compra de um imóvel rural adquirido por Luís Pablo.
A PF destacou que o financiador do depósito costuma, segundo o inquérito, orientar o teor de reportagens contrárias a Flávio Dino. Para os policiais, esse vínculo levanta suspeita sobre a finalidade do pagamento e sobre o uso de conta de terceiro na transação.
O imóvel custou R$ 461.000,00, quantia paga por transferências bancárias fracionadas e realizadas por diferentes pagadores, conforme o relatório. Os investigadores consideraram significativo que uma pessoa que direcionaria publicações críticas ao ministro tenha quitado parte do bem em favor do jornalista responsável pelo conteúdo.
Diante desses elementos, a PF avaliou que o episódio comprometeria o caráter meramente informativo do blog mantido por Luís Pablo, sugerindo a veiculação de matérias patrocinadas sem identificação comercial.
O inquérito também aponta que Raimundo Cutrim, ex-secretário de Estado Extraordinário de Assuntos Legislativos do Maranhão, teria usado acesso a sistemas restritos para obter dados sobre veículos oficiais e “placas frias” empregados na segurança de Flávio Dino e de familiares. Essas informações, que incluíam imagens e capturas de tela, teriam sido repassadas ao jornalista e publicadas para indicar suposta vigilância do ministro. A PF e o STF enquadram a conduta, em tese, nos crimes de perseguição (stalking) e violação de sigilo funcional.
Com base nos indícios, Moraes autorizou buscas domiciliares e pessoais contra Cutrim e o advogado citado. Na decisão, o ministro afirmou ver atuação conjunta de ambos com Luís Pablo Conceição Almeida para atingir a liberdade individual de um integrante do STF mediante vazamento de dados sensíveis e monitoramento de veículos utilizados por Flávio Dino.
Em nota ao portal Poder360, o advogado José Berilo de Freitas Leite, que defende Raimundo Cutrim, declarou não ter tido acesso integral aos autos e manifestou preocupação com a exposição de alguém qualificado como fonte jornalística. Ele lembrou que o sigilo da fonte, previsto no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição, e a liberdade de imprensa devem ser resguardados independentemente do resultado das apurações. O processo tramita sob segredo de Justiça no STF.
Com informações de Gazeta do Povo
