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Pentágono discute empréstimo de R$ 26,25 bilhões à Fluidstack para infraestrutura de IA

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos negocia um empréstimo de aproximadamente US$ 5 bilhões (cerca de R$ 26,25 bilhões) para a Fluidstack, empresa de computação em nuvem voltada à inteligência artificial, segundo pessoas familiarizadas com o tema ouvidas pelo The Wall Street Journal.

Os recursos viriam do Office of Strategic Capital (OSC), órgão criado em 2022 com a missão de financiar companhias cujos produtos ou serviços tenham utilidade para a segurança nacional. Caso seja fechado nesse montante, o aporte se tornará o maior já concedido ou analisado pelo escritório.

A Fluidstack pretende aplicar o dinheiro no fortalecimento da cadeia de suprimentos e da capacidade de fabricação, nos Estados Unidos, de componentes usados em data centers, sem destinar o valor diretamente à construção de um novo complexo de IA.

A empresa trabalha há vários meses para obter o financiamento e recebe assessoria do Erebor Bank, banco nacional recém-fundado por Palmer Luckey, criador da Anduril Industries. Os termos ainda não foram definidos e podem sofrer alterações, inclusive na taxa de juros. Um porta-voz do Pentágono afirmou que o departamento não comenta transações pendentes até a divulgação oficial de comunicado.

A negociação ocorre em meio a preocupações do governo norte-americano sobre a dependência de componentes fabricados no exterior para infraestrutura de IA. No fim do mês passado, o presidente Donald Trump emitiu ordem executiva que declarou emergência nacional por causa dessa dependência de equipamentos elétricos importados para data centers de IA. Em declaração no ano passado, Gary Wu, cofundador e diretor-executivo da Fluidstack, afirmou que a capacidade de computação é um ativo estratégico nacional.

Empresas de IA e seus fornecedores buscam novas fontes de capital para ampliar a infraestrutura necessária aos sistemas emergentes. Analistas do JPMorgan estimam que instituições financeiras disponibilizarão US$ 4,1 trilhões (cerca de R$ 21,5 trilhões) em financiamentos ligados à infraestrutura de IA até 2030 e avaliam que as companhias recorrerão a praticamente todos os mercados de capitais existentes para sustentar o crescimento.

O OSC foi ampliado no ano passado pelo One Big Beautiful Bill Act, também assinado por Trump, que autorizou a contratação de profissionais experientes de Wall Street com remunerações elevadas e liberou mais de US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1,05 trilhão) em financiamentos futuros. O escritório já concedeu empréstimos a empresas de terras raras e de fabricação de drones; alguns acordos incluíram warrants ou participações acionárias que permitem ao governo adquirir fatias das companhias apoiadas.

Fundada em Londres em 2017, a Fluidstack mudou o foco em 2023 para a construção de infraestrutura de IA nos Estados Unidos. A companhia assinou contratos de locação de longo prazo para instalações de data centers em Nova York, Indiana, Louisiana e Texas, transferiu a sede para Nova York e concentrou seus cerca de 700 funcionários no país, enquanto os fundadores se mudaram para Austin, no Texas.

No início deste ano, a Fluidstack anunciou uma rodada de US$ 830 milhões (aproximadamente R$ 4,36 bilhões) liderada pela Situational Awareness, de Leopold Aschenbrenner. Mais recentemente, levantou US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 7,88 bilhões) em captação conduzida pela Jane Street, alcançando avaliação de US$ 18 bilhões (cerca de R$ 94,5 bilhões).

Grande parte da demanda da empresa decorre de ampla parceria com Google e Anthropic, que garante acesso às unidades de processamento tensorial (TPUs) do Google. A big tech também ofereceu garantias para os contratos de locação dos data centers da Fluidstack, reduzindo os custos de financiamento desses projetos.

O Erebor Bank, responsável por assessorar a Fluidstack no pedido ao Pentágono, atende majoritariamente startups de defesa e tecnologia industrial. Luckey, seu fundador, apoiou Donald Trump na eleição de 2016 e realizou doação para a campanha de reeleição do ex-presidente em 2024. A instituição negocia com investidores para captar pelo menos US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,25 bilhões) em capital de risco, operação que poderia avaliá-la em US$ 8 bilhões (cerca de R$ 42 bilhões). O banco informou a alguns potenciais investidores que pretende usar a experiência adquirida para orientar startups no acesso a recursos federais de programas da atual administração, incluindo o OSC.

Com informações de Olhar Digital

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