O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, declarou nesta segunda-feira (11/5) que circulam nas redes sociais vídeos que, segundo ele, desinformam a população ao relacionar a suspensão de lotes de produtos da marca Ypê a disputas políticas. De acordo com o ministro, os conteúdos disseminados por militantes de direita e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro tentam associar a medida da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) às doações feitas pelos proprietários da empresa à campanha presidencial de 2022.
Padilha relatou, em coletiva de imprensa, ter havido uma “enxurrada” de publicações que atribuem a decisão técnica a motivos eleitorais. Ele afirmou que a ação de recolhimento e suspensão tem como base preocupações sanitárias e não questões partidárias.
A Anvisa determinou o recolhimento de determinados lotes de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes fabricados pela Química Amapo após inspeções identificarem falhas no controle de qualidade e risco de contaminação microbiológica em produtos com numeração final 1.
A mobilização em defesa da empresa incluiu uma publicação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que, no domingo (10/5), postou em uma rede social a foto de um detergente da marca acompanhada da legenda “Dia lindo”.
O ministro destacou que o diretor da Anvisa responsável pela área envolvida, Daniel Meirelles, foi indicado durante o governo Bolsonaro e permanece no cargo com atribuições técnicas. Padilha acrescentou que a decisão da agência decorreu de uma análise realizada ao longo de quatro dias por equipes da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo, que apontaram risco sanitário.
Segundo o ministro, a própria empresa identificou, no fim do ano passado, a presença de bactéria em um lote, o que indicaria possível contaminação em etapas de produção. Ele também alertou para o perigo de ingestão do detergente e criticou a propagação de informações enganosas que, em sua avaliação, colocam vidas em risco.
Com informações de Metrópoles
