A terapia com células CAR-T passou a ser indicada mais cedo para pacientes com leucemias, linfomas e mieloma múltiplo em diversos centros especializados no mundo e no Brasil. A mudança de protocolo inclui casos de recaída ou resistência às terapias tradicionais e busca elevar as taxas de remissão.
O método baseia-se na coleta de células de defesa do próprio paciente, na alteração genética desse material em laboratório para que reconheça células cancerígenas e na reinfusão após cerca de 45 dias. Segundo o hematologista Renato de Castro, da Oncologia DOr, a indicação precoce aumenta as chances de resposta. No linfoma não Hodgkin, a técnica já pode ser usada após falha da primeira linha de imunoquimioterapia; na leucemia, surge como opção de segunda linha quando o quadro impede o transplante de medula óssea ou de terceira linha em recidivas pós-transplante.
Reguladores contribuíram para a expansão do uso. Em 2022, a Food and Drug Administration (FDA) liberou a terapia para adultos com mieloma múltiplo refratário a múltiplos tratamentos. Em 2024, novos dados levaram a agência a considerar a aplicação em fases iniciais, inclusive em primeira ou segunda linha para determinados perfis. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já autorizou três produtos baseados nessa tecnologia.
Estudos clínicos sustentam a antecipação. O CARTITUDE-4 indicou redução de 59 % no risco de progressão da doença ou morte em comparação ao padrão terapêutico. No JULIET, 61 % dos 115 pacientes com linfoma difuso de grandes células B permaneceram sem recaída após cinco anos. O CARTITUDE-1 mostrou que mais de 30 % dos 97 participantes com mieloma múltiplo seguiram vivos e sem progressão por pelo menos cinco anos após uma única infusão. Já o ELIANA registrou remissão global de 82 % em 79 pacientes pediátricos e jovens com leucemia linfoblástica aguda de células B após acompanhamento médio de 38,8 meses.
O processo terapêutico envolve avaliação clínica, coleta e envio das células para um laboratório internacional, modificação genética e retorno ao país para reinfusão. A resposta costuma aparecer de forma progressiva, com efeitos mais pronunciados a partir do terceiro mês. A terapia não se limita a faixas etárias específicas, mas é contraindicada em pessoas com insuficiência renal em diálise, insuficiência cardíaca ou cirrose avançada.
Com informações de Olhar Digital
