A Nvidia informou nesta segunda-feira (28) que o conselho de administração aprovou mais US$ 150 bilhões (cerca de R$ 795 bilhões) para seu programa de recompra de ações. Com o acréscimo, o valor total ainda disponível para aquisições próprias atinge US$ 235 bilhões (aproximadamente R$ 1,25 trilhão), volume que a empresa e analistas descrevem como o maior já registrado nos Estados Unidos para esse tipo de operação.
A nova autorização ocorre quatro meses depois de ter sido adicionada outra parcela de US$ 80 bilhões (cerca de R$ 424 bilhões). A companhia destaca que a expansão do programa coincide com a forte geração de caixa decorrente da demanda crescente por chips destinados à inteligência artificial (IA).
O diretor-presidente Jensen Huang declarou, em discurso indireto, que a Nvidia avança impulsionada por uma mudança de plataforma “uma vez por geração” em direção à IA e à computação acelerada, e que a robusta geração de caixa permite simultaneamente investir em novas tecnologias e devolver capital aos acionistas. Segundo ele, a autorização reforça a confiança na oportunidade de longo prazo da companhia.
Hoje a Nvidia é apontada como a maior fabricante mundial de processadores gráficos e hardware especializado para data centers de IA. O aumento na procura pelos seus chips transformou o desempenho financeiro da empresa em um dos principais termômetros da expansão do setor. A capitalização de mercado já supera US$ 5,4 trilhões (cerca de R$ 28,6 trilhões), colocando a companhia como a mais valiosa do mundo, e as ações subiram mais de 4 % nas negociações iniciais desta segunda-feira.
No trimestre encerrado em julho, a receita somou US$ 96,2 bilhões (aproximadamente R$ 510 bilhões), mais que o dobro do registrado anteriormente. Para o trimestre atual, a projeção divulgada pela empresa é de US$ 108 bilhões (cerca de R$ 572 bilhões), resultado que representaria crescimento de 90 % em relação ao mesmo período do ano anterior.
Recomprar ações é um mecanismo de retorno de recursos aos investidores, pois reduz a quantidade de papéis em circulação e pode sustentar a valorização dos ativos. O analista Vivek Arya, do Bank of America, afirmou que operações dessa natureza costumam indicar que a administração considera o preço das ações inferior ao valor que atribui à companhia; ao efetuar recompras, a empresa sinalizaria confiança nas perspectivas futuras. O movimento da Nvidia também ocorre em meio ao elevado fluxo financeiro destinado ao setor de IA, que estimula aportes bilionários em data centers e no desenvolvimento de novos modelos.
Críticos do instrumento argumentam que os recursos poderiam ser direcionados a contratações, obras de infraestrutura ou pesquisa e desenvolvimento. A Nvidia planeja concluir a recompra restante até o ano fiscal de 2028, encerrado no fim de janeiro.
A estratégia financeira da empresa inclui ainda investimentos diretos em startups de tecnologia. Segundo apresentação divulgada nesta segunda-feira, o portfólio soma participações em 13 companhias abertas e 229 empresas privadas, com retorno superior a três vezes o capital aplicado. Entre os alvos estão provedores de computação em nuvem que adquirem chips da Nvidia e desenvolvedores de modelos de IA. A companhia pretende continuar devolvendo o excedente de fluxo de caixa livre aos acionistas por meio de recompras e de um dividendo em crescimento gradual.
No mês passado, a Nvidia passou a integrar operações de financiamento para infraestrutura de IA, ao firmar parceria com instituições de Wall Street para garantir parcialmente até US$ 500 bilhões (cerca de R$ 2,65 trilhões) em crédito voltado a data centers, facilitando o acesso de clientes aos recursos necessários para adquirir seus chips. A empresa também concordou em oferecer suporte financeiro ao projeto de data center da OpenAI em Ohio (EUA). Essas iniciativas suscitaram questionamentos sobre possíveis estruturas de financiamento circular dentro do ecossistema de IA. A diretora financeira, Colette Kress, afirmou que a participação da Nvidia é necessária devido à velocidade de expansão do setor.
Além disso, a companhia assinou contratos de locação de longo prazo para data centers que somam aproximadamente US$ 20 bilhões (cerca de R$ 106 bilhões), com intenção de transferir esses acordos a terceiros no futuro.
Paralelamente às movimentações financeiras, a Nvidia lançou nesta segunda-feira a Open Agent Safety Platform, conjunto de softwares destinado a ajudar desenvolvedores a testar e implantar agentes de IA em ambientes seguros. A plataforma oferece monitoramento contínuo do comportamento dos sistemas e permite definir regras para suas ações. A empresa argumenta que incidentes recentes, nos quais agentes autônomos foram associados a ataques e tentativas de invasão, ampliam a necessidade de ferramentas de segurança. Jensen Huang declarou, em discurso indireto, que o potencial da IA para a sociedade só será plenamente alcançado se a segurança for resolvida. A Nvidia defende ainda que modelos de código aberto continuem disponíveis, pois podem expandir a demanda por seus chips, ao mesmo tempo em que cresce o debate sobre limites ao desenvolvimento da tecnologia.
Com informações de Olhar Digital
