O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou em minoria no debate sobre o combate ao crime organizado durante a Assembleia Geral da ONU, cujos discursos de chefes de Estado e de governo começaram na terça-feira (22) em Nova York.
Em sua fala, o chefe do Executivo brasileiro descartou a utilização de forças militares dos Estados Unidos contra facções que atuam no país e relatou ter apresentado pessoalmente ao presidente norte-americano, Donald Trump, uma proposta centrada no bloqueio do fluxo de armas e recursos para essas quadrilhas. Lula afirmou ainda que, em 2025, o Brasil conduziu a maior operação da história nacional contra organizações criminosas, atingindo recordes de apreensão de drogas, bens e valores ilícitos, além de aprovar a Lei Antifacção, que estabelece penas superiores às previstas para terrorismo.
Nos pronunciamentos seguintes, Trump e outros líderes do continente defenderam um enfrentamento militar integrado por meio do Escudo das Américas, iniciativa criada pelos Estados Unidos e da qual o Brasil não participa. O mandatário norte-americano citou a captura, em janeiro, do então ditador venezuelano Nicolás Maduro como demonstração de que Washington não permitirá avanços de ameaças no Hemisfério Ocidental e declarou disposição para empregar o poder militar a fim de proteger interesses nacionais. Trump recordou ter designado cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras, comparando-os ao Estado Islâmico e afirmando que esses grupos devem ser eliminados, expulsos ou detidos sem possibilidade de libertação.
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, declarou que o crime organizado transnacional não pode ser enfrentado isoladamente por cada país, pois tal abordagem favorece as redes ilícitas. O chileno José Antonio Kast anunciou a adesão de seu país ao Escudo das Américas e mencionou o Acordo de Santiago, firmado este ano com Argentina, Peru, Equador e Bolívia para coordenar ações contra facções criminosas. Já a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, agradeceu o convite dos Estados Unidos para integrar o Escudo das Américas e a Coalizão Americana de Combate aos Cartéis, afirmando confiar na promoção de liberdade, segurança e prosperidade na região.
À margem da assembleia, 14 países latino-americanos e caribenhos membros do Escudo das Américas — Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago — designaram 24 organizações criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como grupos terroristas e anunciaram sanções contra elas. Algumas dessas nações, como Argentina e Paraguai, já aplicavam essa classificação, contestada pelo governo brasileiro.
Na semana passada, relatório do governo Trump ao Congresso dos Estados Unidos acusou o Brasil de falhar no enfrentamento ao PCC e ao CV, ao mesmo tempo em que elogiou ações de países latino-americanos governados pela direita, como Colômbia e Equador, em parceria com Washington.
Com informações de Gazeta do Povo
