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Exército dos EUA avalia sistema NGC2 com celulares, IA e satélite em Sumatra

O Exército dos Estados Unidos está testando um conjunto de tecnologias que pretende reformular a comunicação e o controle de tropas em combate. O pacote faz parte do programa Next Generation Command and Control (NGC2), iniciativa que reúne smartphones, drones, inteligência artificial, redes móveis e internet via satélite. Mais de 80 empresas integram o projeto, que inclui desde terminais de satélite instalados em blindados até sistemas capazes de fundir dados de diferentes armas e sensores.

Uma das primeiras demonstrações completas ocorreu durante um exercício multinacional na ilha indonésia de Sumatra, escolhida por apresentar calor e umidade semelhantes às previstas para eventuais conflitos no Pacífico. No treinamento, o primeiro-tenente Diego Gonzalez portava um smartphone que exibia em tempo real a posição dele e da unidade. Os militares também utilizaram rádios Wi-Fi que formaram uma rede móvel e transmitiram áudio digital para headsets, enquanto um drone sobrevoou a área antes do avanço das tropas para reconhecimento do terreno.

A prática revelou problemas. Quando o grupo avançava para uma trincheira inimiga, Gonzalez perdeu o contato pelo rádio; o comandante deixou de recebê-lo e o oficial precisou reiniciar o equipamento. Durante o reinício, outras praças retransmitiram as mensagens pela cadeia de comando. Não foi esclarecido se a falha ocorreu por causa de hardware ou software, mas a presença de mais rádios do que em exercícios anteriores manteve a comunicação e, ao final, a trincheira foi tomada.

O NGC2 surgiu numa conjuntura em que drones de baixo custo e mísseis de precisão tornam grandes aglomerações de tropas alvos fáceis. Segundo oficiais e empresas envolvidas, a plataforma deve permitir que unidades operem dispersas e continuem conectadas, reduzindo de horas para minutos o intervalo entre a identificação de um alvo pela infantaria e a pronta resposta da artilharia. O plano também visa unificar sistemas de armas e sensores em uma estrutura única de dados. Com cerca de 450 mil militares na ativa, o Exército projeta levar o NGC2 a toda a força até 2032.

O ritmo do programa foi questionado em Washington. Em agosto, o Government Accountability Office (GAO) informou que o Exército ainda não apresentara um cronograma detalhado de distribuição das novas capacidades nem projeção completa de custos. A força respondeu que desenvolveu planos específicos e estimativas financeiras, mas não divulgou o valor total. Para o ano fiscal de 2027, foram solicitados cerca de US$ 3,8 bilhões (aproximadamente R$ 20,4 bilhões).

Para o general aposentado John Ferrari, hoje no American Enterprise Institute, seis anos representam um período longo no setor tecnológico e exigiriam mais recursos e celeridade, já que soluções implantadas agora podem ficar obsoletas em pouco tempo. Empresas de defesa sustentam que o avanço tem sido relativamente rápido, impulsionado pelas lições de conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio. Os primeiros testes do conceito começaram em 2024, e a adoção vem sendo ampliada.

Dan Driscoll, que ocupou recentemente a secretaria do Exército, citou como referência um sistema ucraniano que integra drones, sensores e plataformas de ataque em uma única rede, algo que o aparato norte-americano anterior ao NGC2 não realizava.

No exercício de Sumatra, um blindado Stryker recebeu um terminal Starshield, versão militar da rede Starlink da SpaceX, permitindo conexão com centros de comando na retaguarda por meio da nuvem. Dessa forma, chefes distantes puderam visualizar o mesmo mapa usado pelos soldados, com atualizações de posição em tempo real.

O general de brigada Ed Matthaidess, responsável pelas forças do Exército na atividade, explicou que antigos postos de comando exigiam tendas para 250 a 300 pessoas, levavam horas para ser montados e dependiam de grandes antenas em reboques. Agora, essas funções podem ser divididas em nós menores e móveis ligados a veículos como o Stryker; se um nó for destruído, os demais assumem o serviço. A nova infraestrutura também oferece banda suficiente para ferramentas de IA que detectam veículos inimigos em imagens de drones ou monitoram consumo de munição.

Mesmo assim, limitações surgiram. Com temperatura perto de 32 °C, um smartphone do NGC2 usado por um repórter superaqueceu e precisou esfriar antes de voltar a operar. Também houve pequenas imprecisões de localização, em certos momentos posicionando um militar à frente de outro quando, na verdade, ele estava atrás. Parte do efetivo considerou pouco prático consultar a tela em meio a tiroteios, e alguns manifestaram receio de não conseguir reparar os novos equipamentos em campo.

Durante a ação, o sargento de primeira classe James Luce, posicionado próximo a metralhadoras e morteiros, recebeu pelo headset a notícia de dois ferimentos simulados. Sem visibilidade devido à vegetação, utilizou o mapa digital para definir um ponto de pouso para helicóptero de evacuação. O processo levou cerca de 30 segundos; em condições anteriores, com mapas de papel suscetíveis à umidade, demandaria alguns minutos, intervalo que, segundo ele, pode ser decisivo.

A operação terminou com a missão cumprida. Para Gonzalez, o essencial é aprender a contornar rapidamente as limitações tecnológicas, pois contratempos sempre ocorrem em combate.

Com informações de Olhar Digital

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